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5.5.12

#comidinhas: esta madrugada (de 5 para 6), em são paulo, todos os caminhos vão dar ao minhocão, e até alex atala servirá sua galinhada (SP)


Não é todos os dias, ou melhor todos os dias e noites, que chefs do calibre de Alex Atala — para os distraídos, o seu restaurante paulistano D.O.M. acaba de ascender ao posto de quarto melhor do mundo segundo a revista britânica Restaurant — se dispõem a montar uma barraca na rua para praticar baixa gastronomia de qualidade a preços de amigo (R$ 5,00 a R$ 15,00).

Nos últimos tempos, São Paulo tem aderido a iniciativas do género, mas esta dos Chefs na Rua, ao abrigo da Virada Cultural, promete, se tudo correr como previsto, fazer história e ter continuidade. E tudo acontecerá na rua, mais precisamente em cima do viaduto Presidente Costa e Silva, o “Minhocão”.

Ao todo serão 20 chefs convidados, sendo que Alex Atala, pelo Dalva e Dito, e Erick Jacquin, pelo La Brasserie, serão uma espécie de convidados especiais para abrilhantar a abertura do evento, nesta madrugada de sábado (5) para domingo (6). À meia-noite, Atala servirá a já famosa galinhada e, às duas da manhã, Jacquin a sopa de cebola. O acesso será feito pela Rua Helvétia.

Já amanhã, domingo (6), entre as 8.00 e as 20.00, entram em cena os outros chefs, que, no comando de suas barracas, vão servir pratos emblemáticos (o acesso será feito pelas ruas Ana Cintra e Sebastião Pereira). A saber:

1- Rodrigo Oliveira
Mocotó 
Baião de Dois e Dadinho de Tapioca

2- Checho Gonzáles 
Cevicheria Gonzáles 
Choripan de sabores e molhos variados

3- Lourdes Hernández
La Cocinera Atrevida
"Tostadas (cochinita pibil e revoltijo en salsa verde) / Caldito de trasnochados / costelinhas"

4- Carlos Ribeiro
Na Cozinha 
Buraco quente de Picadinho Campeão

5- Marco Soares 
Oliva Restaurant
Espetinho de polpetini de cordeiro

6- Paula Labaki
Lena Labaki
Sanduiche de Pernil das Arábias - pão ciabatta com recheio de pernil assado com escabeche.
Sanduiche Virada Picante - pão sírio, frango defumado na serragem de goiabeira, pasta de queijo, chutney de manga e damasco picante.

7- Renato Carioni
Cosí
Hamburguer de pato com maionese trufada

8- Daniela França Pinto
Marcelino Pan Y Vino
Polenta cremosa com cogumelo crocante
Ou com ragú de linguiça de javali

9- Hugo Nascimento
Tasca da Esquina
Bolinhos de bacalhau, salada de bacalhau e grão de bico

10- Dagoberto Torres
Suri 
Ceviches y Arepas

11- Marcio Silva 
Oryza 
Arroz de carreteiro com pipoca

12- Raphael Despirite 
Marcel 
Hot dog à francesa

13- Danilo Rolim Komessu 
La Tapa Bar & Gastronomia 
Montaditos y Tapas

14- Janaina Rueda 
Bar Dona Onça 
Puchero à Love Story

15- Carol Brandão 
Las Chicas 
Trio de Guloseimas: Mini Monkey Brownie, Copinho de arroz doce com doce de leite e coco, Quindim com nozes

16- Henrique Fogaça 
Sal Gastronomia
Sanduiche de copa lombo com vinagrete de maçã, queijo meia cura

17- Benny Novak
210 Diner 
Baby Back Ribs & Sweet Corn

18- Leandro Freitas e Henry Caceres
Nakombi
Sushis e Sashimis

19- Luiz Emanuel 
Allez Allez 
Steak Tartare e batata frita

20- Heloisa Bacellar 
Lá da Venda 
O melhor pão de queijo da cidade, bolos Da Venda e café.

2.3.12

#gente em destaque: à conversa com josé barattino, chef do emilano, a propósito da 2ª edição do market day (SP)

[José Barattino, o chef que dá a cara pela cozinha sustentável no Brasil (foto de divulgação)]

Nem de propósito.

Há tempos que venho adiando, cheio de remorsos, um post para transcrever pelo menos parte da conversa super interessante que tive com o josé Barattino, chef do restaurante do hotel Emiliano, quando da minha última passagem por São Paulo.

Acho que me faltava um pretexto de peso. Faltava, escrevi bem, pois não falta mais.

[Barattino, ao centro, com parte dos pequenos produtores que participam no Market Day do Emiliano (foto de divulgação)]


No próximo domingo, dia 4 de março, o Emilano vai acolher a 2ª edição do Market Day, disposto a repetir o sucesso e a conseguir uma adesão ainda maior à ideia de promover um contato direto entre consumidores e pequenos produtores.

[Diversidade de ingredientes, mas um princípio comum: são todos orgânicos (foto de divulgação)]

Com a devida licença poética, o evento lembra, com suas bancas de toldos listrados, uma típica feira de rua, mas em versão refinada (afinal estamos a falar de um dos endereços mais chiques da capital paulista), um pouco à imagem e semelhança dos mercadinhos gourmets que o nosso imaginário associa ao sul da França. 

[A ideia do Market Day é levar o consumidor a contatar diretamente com os pequenos produtores (foto de divulgação)]

Claro, o Market Day acaba sendo também uma vitrine para o Emiliano dar a conhecer suas tendências gastronômicas, seu restaurante e sua filosofia,  mas é mais do que apenas uma oportunidade de fazer negócio ou do hotel fazer média à conta de uma ação bacana.

[Os vinhos biodinâmicos são outra das apostas do Emiliano no Market Day (foto de divulgação)]

Aberto ao público, este evento quer, antes de tudo o resto, conscientizar o consumidor sobre a importância de uma boa alimentação e pregar os benefícios dos ingredientes orgânicos produzidos segundo os princípios da agricultura biodinâmica.

[Barattino gosta de conhecer a origem dos produtos que utiliza em sua cozinha (foto de divulgação)]

Dito assim pode até parecer um monte de "palavrões" só para impressionar, mas quem conhece José Barattino sabe que não é da boca pra fora. Há quase sete anos no Emiliano (antes de ser o titular, ele integrou a equipe de Francesco Carlo), Barattino tornou-se, nos últimos tempos, um dos nomes mais engajados da cozinha sustentável no Brasil.

[As sacolas de grife Emiliano depois de "fazer" a feira (foto de divulgação)]

Uma bandeira que ele carrega de bom grado: "Eu nasci e vivi sempre em cidade. Já sou de uma geração de cozinheiros que não mata porco, galinha... Isso começou a me incomodar", conta o chef.

No início, sua preocupação não tinha tanto a ver com sustentabilidade, mas sim com qualidade. Barattino queria fazer uma cozinha de qualidade, conectada com a sazonalidade, e isso obrigou-o a olhar para os ingredientes de outra forma: "Eu tenho de estar preocupado com a abobrinha desde o primeiro momento, logo quando ela é produzida, mas o brasileiro ainda não está habituado à sazonalidade", desabafa.

O primeiro passo foi garimpar uma lista de pequenos fornecedores no estado de São Paulo que se mostrassem dispostos a produzir organicamente e a abastecer diretamente o Emiliano. Não foi fácil, mas a parceria deu tão certo que hoje são já cerca de 700 os pequenos produtores reunidos no projeto Família Orgânica. Com a ajuda do Emiliano, eles não só produzem de forma sustentada (apostando inclusive em novas sementes), como lucram com um negócio de delivery nos Jardins, em São Paulo.

[A sala do restaurante do Emiliano (foto de divulgação)]

É um trabalho ainda com muito chão pela frente e Barattino tem consciência disso mesmo: "Temos uma potencialidade de ingredientes muito grande, mas há no Brasil uma grande deficiência histórica a esse nível. Não temos ainda uma culinária forte. Mas vai chegar uma hora em que poderemos dizer que temos uma gastronomia com a cara do Brasil", remata confiante.

 
[A capa do Paladar, de 16 de fevereiro, em que se falou de uma nova linha de produtos brasileiros (direitos reservados)]

E não está sozinho. Alex Atala, outro nome incontornável da sustentabilidade verde e amarela, foi notícia há pouco tempo, no caderno "Paladar" do Estadão, por se ter tornado curador de Retratos do Gosto, uma nova linha de produtos e ingredientes brasileiros de pequenos produtores. É a bola da vez.

Mas volto a Barattino. Por enquanto, sua batalha em prol de uma cozinha mais autêntica passa por iniciativas como o Market Day do Emiliano e por criar para o restaurante "menus com um visual e uma delicadeza mais naturais que permitem a inclusão de ingredientes como raiz do lírio-do-brejo [sabor floral] ou serralha [planta comestível muito rica em vitaminas e que melhora a digestão]".

Afinal, como bem diz o chef, "hoje um restaurante é, cada vez mais, uma experiência lúdica".

Market Day | Hotel Emiliano, rua Oscar Freire, 384, São Paulo, tel. (0)11 3069-4369. O evento acontece dia 4 de março de 2012, entre as 12.00 e as 16.00

4.10.11

#gastronomia: vii festival da alcachofra em santo antônio do pinhal (SP), até dia 02.11

[A sala e a vista do restaurante Donna Pinha, em Santo Antônio do Pinhal (©luna garcia, todos os direitos reservados); e close das alcachofras (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Campos do Jordão que me perdõe, mas eu sou mais Santo Antônio do Pinhal.

A cerca de duas de carro de São Paulo, Santo Antônio do Pinhal, em plena serra da Mantiqueira, não vive mais na sombra de Campos do Jordão e vem engrossando, de ano para ano, seu quinhão de admiradores fiéis. 

Na prática, apenas 29 quilômetros separam as duas, mas são mundos e propostas diferentes para curtir o mesmo cenário de montanha. Com a diferença de que Campos se deixou embalar pelo agito e mundanidade e Santo Antônio, ainda que com uma infra-estrutura de lazer crescente (contam-se, pelo menos, três pousadas novas), mantém seu apelo de roça e insiste num contato mais direto com a Natureza.

Se isto não fosse motivo já mais do que suficiente para passar ali um final de semana, o VII Festival da Alcachofra, que decorre até 2 de Novembro, me proporcionou a desculpa que faltava para fugir de São Paulo por dois dias.

[Plantação orgânica de alcachofras, variedade Roxa de São Roque, em Santo Antônio do Pinhal (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Na verdade, a matéria-prima para o festival vem dali mesmo, de Santo Antônio do Pinhal. Entre os produtores locais, tive oportunidade de visitar o sítio de Roberto e Helô Lisboa, naturais de São Paulo, que realizam a cultura da Alcachofra Roxa de São Roque (a variedade mais plantada no Brasil) de forma orgânica e são os principais fornecedores dos restaurantes participantes.
[No sítio da família Lisboa, em Santo Antônio do Pinhal, além das culturas orgânicas como a da alcachofra há também outros atrativos como o cachorro Zappa, um boiadeiro australiano (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

É nesta época do ano, na Primavera, que as culturas de alcachofra estão em seu máximo esplendor, pelo que o festival é também um excelente pretexto para visitar as plantações com os botões em flor e, com alguma sorte, assistir à sua colheita.

[Chef Anouk Vasconcelos Rosa fotografada no Donna Pinha, em Santo Antônio do Pinhal (©luna garcia, todos os direitos reservados)]

Mas se a estrela é a alcachofra, o mérito, esse, é todo da chef Anouk Vasconcelos Rosa, que, pelo sétimo ano, bolou o festival. Formada em gastronomia pelo SENAC, Anouk assume o fogão, mas se revela também totalmente à vontade no papel de anfitriã. No salão, seu humor afiado não passa desapercebido e garante, desde a primeira hora, uma empatia toda especial. 

Dividida entre o vício da corrida (corre, de segunda a sexta, três quilômetros por dia faça chuva ou sol) e a gestão dos negócios e de uma família numerosa com quatro crianças e muitos mais bichos, Anouk cozinha desde garota (influenciada pelos pais, de origem francesa), mas só há cerca de oito anos entrou no mundo da restauração para valer. E o que lhe falta, por vezes, em aprumo técnico, sobra-lhe em disposição, empreendedorismo e criatividade.

[Vista do Donna Pinha para o Jardim dos Pinhais, na serra da Mantiqueira (©joão miguel simões); Casquinha de Truta Defumada em Flor de Alcachofra (©luna garcia); interior aconchegante do Donna Pinha (©luna garcia); Fettuccine com Molho Bechamel e Cogumelos na Flor de Alcachofra (©joão miguel simões)]

À frente de dois restaurantes em Santo Antônio do Pinhal, a chef Anouk fez questão de dividir o festival pelas duas casas. Começo pelo primogênito, o Donna Pinha. À entrada do Jardim dos Pinhais Ecco Parque, projetado pelo arquiteto Manoel Carlos de Carvalho e considerado um dos principais parques temáticos do Brasil, o restaurante faz a linha rústico-contemporâneo e oferece de bandeja — quer no deck, quer no interior rasgado por enormes janelões — um panorama soberbo da serra. A vista adentra o salão, equipado com lareira para os dias e noites mais frios, sem pedir licença e faz parte do regalo de comer ali.

[No sentido horário: Alcachofra ao Vinagrete; Truta com Damasco e Fundo de Alcachofra;  Penne ao Creme de Alcachofra; Alcachofra Gratinada ao Gorgonzola (©luna garcia, todos os direitos reservados)]

São cerca de 10 os pratos, entre entradas, massas, risottos (usando as variedades locais de arroz vermelho e negro) peixes e carnes, criados pela chef para assinalar o festival e em todos eles, como não podia deixar de ser, a alcachofra está sempre (mais ou menos) presente. Dos que tive a oportunidade de degustar, ao longo de dois dias em regime de maratona gourmet, elejo como meus preferidos a Casquinha de Truta Defumada em Flor de Alcachofra (R$10,80), servida como entrada, e o Fettuccine com Molho Bechamel e cinco tipos diferentes de cogumelos (todos colhidos localmente), servidos no interior da flor da alcachofra (R$35,80).

[Na sala interior do Santa Truta, cores alegres e panos floridos de chita se harmonizam com o entorno rústico (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Aberto apenas há quatro meses, o Santa Truta, também em Santo Antônio, é a segunda casa comandada por Anouk, em parceria com seu companheiro, o empresário Luiz Manoel (o casal possui ainda um negócio local, com fábrica e loja, de couros, tricots e jeans). Em zona protegida da serra, a obra não tem sido fácil, mas, aos poucos, o restaurante ultima os preparativos e ganha uma clientela fiel entre a comunidade japonesa residente em São Paulo.

[No exterior, em contato com a Natureza, mesas e cadeiras de madeira de demolição fazem jus ao espírito de sustentabilidade do Santa Truta (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Enquanto decorrer o VII Festival da Alcachofra, o cardápio do Santa Truta vai igualmente apresentar os pratos concebidos para o evento, mas quem ali for em busca de seus carros-chefe, como a deliciosa Truta à Brasileira — fresca e grelhada, servida inteira com puré de mandioquinha, é, sem dúvida, uma das criações mais bem conseguidas de Anouk, entre todas as que pude degustar no final de semana — ou os vários tipos de fondues, não vai sair defraudado

Inspirado pelo entorno bucôlico, o Santa Truta, que possui um riacho e uma capela que fazia parte do caminho de peregrinação até à Aparecida, usa tijolos e madeira de demolição no exterior. Anouk, que se encanta ao falar dos tucanos, dos esquilos ou dos pica-paus que visitam a propriedade, mostra a horta, de onde, a seu tempo, sairão produtos típicos da roça, como as ervas lambari e a serralha, que serão depois servidos no restaurante.

[A chef Anouk prepara uma de suas especialidades prediletas: a lingüiça de truta, servida na  pedra (©luna garcia, todos os direitos reservados); sobremesa de atemóia e couvert de geléias e picles (©joão miguel simões, todos os direitos resevados)]

Ao longo do ano, Anouk vai realizar mais de cinco festivais gastronômicos temáticos em seus dois restaurantes, de forma a tirar o melhor proveito dos produtos sazonais. Fora isso, cada uma das casas possui uma ementa de base que respeita o paladar mais conservador de seu público, mas, ainda assim, arriscam pequenas inovações na forma e na apresentação — neste momento, por exemplo, a chef está focada em usar cada vez mais flores comestíveis em seus pratos.

"A pior coisa que me pode acontecer é chegar um daqueles clientes habituais, que vem com toda a família no final da semana, e me falar: Anouk, o prato que eu queria é precisamente aquele que você tirou da carta!", confidencia a chef com seu jeito levado. 


Por essas e outras, especialidades como a lingüiça de truta defumada na pedra (R$28, com molhos de queijo Roquefort e de chimichurri), servida no Santa Truta, ou o couvert com pães caseiros e uma seleção de geléias, patês e picles (R$9,80 por pessoa, destaque para a novidade de limão-cravo e abobrinha), servido no Donna Pinha, são já "clássicos". Nas sobremesas, Anouk adora criar em cima das frutas da época — como a atemóia (híbrido semelhante à fruta-conde) ou as amoras e mirtilos —, que serve sob a forma de mousses ou em taças com suspiros.

[Santo Antônio está repleta de artesãos, produtores rurais e artistas plásticos, mas as cachaças da Bodega são uma atração à parte a que muitos poucos visitantes resistem (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Mas nem tudo se resume aos restaurantes. Anfitriões de Santo Antônio do Pinhal, o casal Vasconcelos Rosa é o primeiro a nos fornecer dicas sobre o que ver e fazer à volta. 

Feiras de produtos locais orgânicos, ateliês de artistas plásticos e artesãos, o Jardim dos Pinhais (são 1200 metros de passarelas para percorrer, ao longo de oito projetos ornamentais, espécies botânicas de diferentes países), as caminhadas na Pedra do Baú ou até a realização de voo livre no Pico Agudo são apenas alguns dos extras que completam a oferta de lazer em Santo Antônio do Pinhal.

Sem tempo para tudo, infelizmente, não arredei pé sem passar pelo menos na Bodega (acesso pelo km 5 da Estrada do Machadinho, tel. 012 3666-1326, abre aos sáb. e dom., entre as 10.00 e as 16.00). O nome em espanhol nos remete para uma adega, mas, no caso, se trata mesmo é de uma cachaçaria tradicional, com alambique e produção própria. Quem chega tem pela frente, se assim o entender é claro, a dura tarefa de degustar até 45 sabores diferentes de cachaças doces ou secas, expostas em grandes garrafões de vidro transparente. 

Consta que as de figo e cambuci são as campeãs de vendas. Provei as duas e não resisti à primeira, nem a uma outra, de mel e canela. O litro fica a R$12, engarrafado na hora, mas também é possível optar por garrafas menores, em formato long neck, que saem por R$5 cada. Quem quiser, poderá ainda se abastecer de doces e geléias caseiros, além de harmonizar a pinga com salame de javali, picanha, filé-mignon ou lombo suíno.

E já que estou embalado no assunto, vale ainda a pena referir, sobretudo agora que as cervejas artesanais roubam a cena no Brasil, as variedades produzidas pela Baden Baden, fábrica da vizinha Campos do Jordão. Degustei a Cristal, tipo pilsen, e a Golden, tipo ale. Robusta, esta última, à base de trigo com canela e frutas vermelhas, se revelou uma acompanhante e tanto para as sobremesas de frutas (dizem que vai igualmente bem com frutos do mar e queijos como o Gruyère ou o Gouda).

Depois de tanta comilança boa, é bem provável que no regresso a casa o peso extra não seja apenas das iguarias e das recordações compradas... Mas, dias não são dias, certo?

Donna Pinha | Estrada de Santo Antônio do Pinhal, tel. (012) 3666-1233
Santa Truta | Av. Antônio Joaquim de Oliveira, 647, Centro, Santo Antônio do Pinhal, tel. (012) 3666-2764

29.5.11

#roteiro rápido: bairro de pinheiros (SP) em 10 dicas

[Pinheiros, na zona oeste, é um dos bairros mais antigos de São Paulo e cresceu imenso, mas preserva ainda, em muito trechos, um ambiente familiar e tranquilo (acima: foto D.R.; abaixo: ©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Bairro nobre da zona oeste, levei um tempo para o conhecer nas minhas andanças por São Paulo, mas quando aconteceu foi paixão à primeira vista e, muito provavelmente, um amor para a vida. Acho mesmo que, se um dia tiver de fixar residência na capital paulista, Pinheiros seria, por certo, uma das minhas primeiras escolhas.

Como português, sinto familiaridade quando caminho por ali e não me são indiferentes detalhes como o fato, só para citar um exemplo, de existir uma rua chamada Lisboa, a minha cidade. 

Gosto de muitas coisas; de outras nem tanto, claro. Mas vou falar das que gosto e que passam por Pinheiros, apesar de ter crescido imenso, ainda preservar em muitos trechos aquele ar de bairro familiar e pacato; de conseguir ser sofisticado sem ser pretensioso; de possuir uma vida cultural intensa, com boas livrarias (inclusive uma Fnac) e sebos, tendo ao mesmo tempo o seu quê de boêmio graças a inúmeros restaurantes, bares e um comércio menos óbvio (lojas de vinhos, locadoras de filmes clássicos, brechós... ); de não ter perdido o costume de viver na rua, mantendo até hoje uma feira de antiguidades deliciosa (ler mais adiante); ou ainda, por conta de ficar ali a sede da Editora Abril, a maior do país, ter um contingente muito expressivo de jornalistas entre seus moradores e/ou frequentadores.

Poderia continuar, mas prefiro passar a uma lista de dez dicas que reuni sobre Pinheiros e que partilho agora. Algumas são novidades recentes, outras nem por isso, e já passaram direto à categoria de "clássicos" do bairro, mas todas, de um jeito ou de outro, valem muito a pena.

The Gourmet Tea
[The Gourmet Tea (foto de divulgação)]

Inaugurada no começo deste ano, esta casa, mistura de loja e lounge, resulta da parceria de Daniel Neuman e Leandro Toledano. Em um ambiente moderno e descolado, podemos  comprar embalagens de chás de todo o mundo, mas também os degustar (R$ 4.90 a dose de 220 ml) a solo ou acompanhados por guloseimas especialmente criadas por Rita Taraborelli.
Rua Mateus Grou, 89, tel. (11) 2691 2755

[The Gourmet Tea (foto de divulgação)] 

Las Chicas
[Las Chicas (foto de divulgação)]

Numa antiga garagem da Oscar Freire, já no bairro de Pinheiros, a chef Carla Pernambuco, do restaurante Carlota (já falei dela antes), e Carolina Brandão idealizaram uma casa aconchegante que serve, de manhã à noite, um menu de saladas e comidinhas, além de cafés e doces. 
Rua Oscar Freire, 1607, tel.: (11) 3063 0533

[Las Chicas (foto de divulgação)]

A La Garçonne
[A La Garçonne (©Lilian Knobel)]

Fábio Souza, o proprietário, quis recriar uma atmosfera das décadas de 1920 e 1930, combinando os conceitos de brechó — porque vende roupa de segunda mão, mas também nova das marcas D'Arouche, Alcides e Amigos, além dos itens de perfumaria da Farmácia Granado — e antiquário — todos os móveis e objectos expostos estão à venda.
R. João Moura, 395


[A La Garçonne (©Lilian Knobel)]

Jun Sakamoto
[Jun Sakamoto (foto D.R.)]

Mais do que um restaurante, é uma experiência, sendo, há anos, considerado um dos melhores japoneses de São Paulo. Comer ali é coisa para mais de R$150 por cabeça, mas é um privilégio sentar no balcão e aceitar as sugestões de Jun Sakamoto, que só faz as degustações de segunda a sexta,  de iguarias finas cobertas por toro (atum gordo), polvo, linguado, olhete, enguia japonesa ou ovas de peixe-voador, entre outras coisas mais ou menos inusitadas ao paladar.
Rua Lisboa, 55, tel. 3088 6019


Julice Boulangère
[Julice Boulangère (foto de divulgação)]

Outra novidade que chegou com 2011. De fora parece uma casa, e é uma casa, mas faz as vezes de padaria gourmet — com fabrico próprio de 20 tipos de pães por dia —, onde uma das melhores pedidas é tomar o café da manhã com tudo a que se tem direito (são quatro opções), em ambiente de charme rústico.
Av. Deputado Lacerda Franco, 536, tel. 3097 9144

[Julice Boulangère (foto de divulgação)]

Chicanita
[Chicanita (foto D.R.)]



A designer Andrea Bernard concebeu uma espécie de casa de bonecas, com vários tipos de propostas para presentes, embora o destaque vá para as latinhas decorativas (especialmente as vintage) e as bolsas de sua autoria, em materiais e estampas diversos.
Rua dos Pinheiros, 448 B


Italianos
[Buttina (foto D.R.)]

Pinheiros tem muitos descendentes de italianos e isso explica, em parte, o índice quase absurdo de bons restaurantes deste género por metro quadrado. À cabeça, um clássico premiadíssimo, o Buttina (rua João Moura, 976, tel. 011 3083 5991), famoso por seu quintal, jabuticabeiras e bufê de saladas e antepastos nos almoços da semana. Mas há ainda o Bráz (rua Vupabuçu, 271, tel. 011 3037-7975), das melhores pizzas da cidade, o Pastifício Primo (rua Fradique Coutinho, 211, tel. 3881 9080), com massas artesanais e tortas que dão água na boca, a Famiglia Grandi Osteria (rua Cunha Gago, 864, tel. 011 3814 1106), uma cantina familiar com um ótimo custo-benefício, ou ainda o Vinheria Percussi (rua Cônego Eugênio Leite, 523, tel. 011 3088 4920), para legítima comida siciliana.

Feira da Praça Benedito Calixto
[Feira semanal da Praça Benedito Calixto (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)] 


São Paulo possui várias feiras tradicionais, mas esta que acontece na Praça Benedito Calixto, sempre aos sábados, entre as 9 e as 19 horas, é das minhas preferidas. Agrada-me a mistura de gente — de todas as idades, formas e orientações, mas sempre com civilidade e respeito pelo outro. Há de tudo à venda, mas sobretudo velharias, brinquedos, roupas, discos, móveis e livros. Depois, em alternativa à sua praça da alimentação, é muito gostoso esticar o passeio por um dos restaurantes e bares que foram-se instalando ao redor, caso do Consulado Mineiro. Além, claro, das atuações de chorinho à tarde.

[Feira semanal da Praça Benedito Calixto (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)] 

S'different
[S'different (©Lilian Knobel)]

Não se intimide se tiver de bater à porta para entrar. Esta foi uma das primeiras locadoras a fazer o aluguer de filmes pela Internet. Seu acervo está muito focado em filmes cult, antigos e até raros, o que faz com que sua clientela seja também muito especial. Na fachada, lê-se: "Pra quem não gosta de lugar comum". Preciso dizer mais?
Rua Artur de Azevedo, 536


Casarão do Café
[Casarão do Café (foto D.R.)]


Quem quiser matar saudades de Minas Gerais, além do já citado Consulado Mineiro, vai gostar do Casarão do Café. Perfeito para almoçar ou para um lanche a meio da tarde. Para o primeiro, aconselho suas quiches; para o segundo, um café de marca gourmet mineira. Nos acompanhamentos, hesito entre os pães de queijo (dos melhores de São Paulo) e os bolos ou doces caseiros (o bolo de fubá então...).
Rua Padre Carvalho, 46, tel (11) 3815 2794
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