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29.1.12

#roteiro rápido: um sábado (mas também pode ser outro dia) relax na fradique coutinho, vila madá (SP)

[Grafite da Vila Madá (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Eu sei.

Antes mesmo de lerem o resto, muitos já vão me condenar só pelo título deste post. Sábado relax, na Vila Madalena?!?!

Concedo que, assim de primeira, não é uma evidência mesmo. O mapa da mina de Vila Madá há muito que foi descoberto e o bairro boêmio e artístico (não, eu jamais vou aderir a essa modinha infame de escrever "artsy" para parecer cool) é agora uma quase unanimidade, o que, claro, tem seu preço...

[Um dos parques da Vila Madá, só para provar que a vida continua bucôlica por ali (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

... sobretudo na hora de achar uma vaga para o carro ou de conseguir uma mesa...

Mas não é impossível. Longe disso.


Umas das ruas que mais gosto de percorrer, de frente para trás, de trás para a frente, é a Fradique Coutinho. 

São várias as opções por ali e muitas as combinações possíveis, mas um sábado relax, para mim, virou sinônimo de três rituais bem simples.

[Balcão do AK/Vila (©joão miguel simões todos os direitos reservados)]

#1 Um almoço tardio e preguiçoso no Ak/Vila, da chef Andrea Kaufman, que inaugurou o ano retrasado. Eleito logo de caras como o melhor de São Paulo em 2011/12, na categoria "variado", pela edição "Comer & Beber" da Veja, o Ak/Vila é charmoso sem ser pretensioso, tem uma clientela classuda e um custo-benefício razoável para a média paulistana.

[O AK Burger (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

O cardápio é rotativo e tem várias coisas boas, mas, confesso, eu vou ali mesmo é para me regalar com o Ak Burger, que leva queijo brie, pastrami de língua, cogumelos e cebola grelhada (vários acompanhamentos, mas eu vou mesmo de batatas rústicas). Delicinha!

[A torta do AK/Vila (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Na sobremesa, fico na dúvida cruel: como ou não? Quando eu chegar ao ritual #2 vão perceber porquê... Mas, o mais certo é não resistir mesmo à pecaminosa (de tão boa) torta de musse com caramelo salgado. 

[A Feira Moderna (foto de divulgação)]

#2 A dúvida tem uma razão bem simples de explicar: é que justo na porta ao lado do AK fica a Feira Moderna, o único lugar em São Paulo (que eu saiba) onde se vende sorvete da Cairu!

[A Feira Moderna (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Já falei aqui da Cairu, que descobri em Belém do Pará, e não é segredo que sou fissurado em seus sorvetes. Claro, a oferta é mais limitada na Feira Moderna (há açaí, tapioca, muruci, carimbó, doce de leite...), mas já está valendo.

[A Feira Moderna (foto de divulgação)]

O café da Feira Moderna, o Astro comandado por dona Neuza, também serve comidinhas, mas nunca provei. Para mim, além dos sorvetes, a pedida é mesmo a loja, onde encontro objetos, vestuário e calçado procedentes de várias regiões do Brasil e do mundo, executados com primor pela dona, a Suely Galdino, e por artesãos e artistas de mão cheia.

[A fachada do casarão que abriga o Coffee Lab (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

#3 Já deu para reparar que ainda não fiz uma única menção à palavra "café"? 

[Jeitinho de quintal da vó, não? (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Pois, foi de propósito.

[Os detalhes fazem a diferença, como o São Benedito e sua xícara diária de café (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

É que, por mais voltas que eu dê na Fradique Coutinho, café eu só tomo num lugar: Coffee Lab.

[Coffee Lab (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Comecei a frequentar o Coffee Lab bem na época em que ele foi eleito o melhor café de São Paulo pelo júri da edição "Comer & Beber 2011/12" e logo se notou um acréscimo do movimento de curiosos e aficionados.

[O café expresso (R$4) degustado numa xícara maior (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Projeto de Isabela Raposeiras, a barista brasileira do momento que teve seu blog agregado à página da folha.com (não é para todos), o Coffee Lab é um laboratório de torra, degustação e preparação de cafés e isso, meus caros, faz toda a diferença.

[Também não faltam comidinhas como o Tostex, feito em pão de brioche, com queijo de Minas a R$9 (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

O lugar não é grande, mas tem jeito de sala de estar, super informal, acoplada à cozinha onde os baristas, de macacão cinza, recebem os pedidos, explicam cada coisa com a maior das boas vontades e preparam tudo, à vista de todos, na hora.

[O aeropress, um café coado sob pressão a R$6 (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Raposeiras trabalha com micro-lotes de café e pratica uma abordagem eco-social, o que equivale a dizer que não usam canudos nas bebidas (por serem fabricados com petróleo), não vendem garrafas de água (água filtrada à disposição e sem custos) e reciclam o vidro, só para dar alguns exemplos.

[O Shakeratto (R$7), café gelado misturado com água gaseificada, ótimo nos dias de calor (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

E não é muita frescura só para beber um café?

[Frapê de Cappuccino, que leva ameixa seca como emulsificante natural (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Não acho. Para mais, à lista de cafés (podem ser pedidos à la carte ou apreciados em cinco rituais de degustação e harmonização, todos a R$5, para aprender a perceber as diferenças) somam-se ainda umas quantas comidinhas bem saborosas como o tostex de queijo de minas, o biscoito de polvilho com cream cheese temperado com flor de sal, o brigadeiro de café ou o sagu de café com creme de baunilha.

E para um sábado relax está de bom tamanho, certo?  

21.10.11

#comidinhas: café da manhã na julice boulangère (SP)

[Um dos kits disponíveis de café da manhã na Julice Boulangère (acima, foto de divulgação) e close dos três tipos de pães servidos em todos os kits (abaixo, ©joão miguel simões)]

Tenho, já assumi aqui por mais de uma vez, um certo xodó pelo bairro paulistano de Pinheiros.

Que ficou ainda mais acessível, desde Setembro último, graças à nova linha 4 do metrô (a amarela). Por isso mesmo, numa manhã de preguiça consentida em plena semana útil, nem pensei duas vezes: peguei o metrô para a estação Faria Lima e, ali desembarcado, fiz depois uma pequena e revigorante caminhada até à Julice Boulangère, frente ao supermercado Mambo

[O sobrado de Pinheiros onde fica a Julice Boulangère (foto de divulgação)]

Endereço sobejamente badalado nos últimos tempos, não vou propriamente revelar o mapa da mina, mas uma enquete rápida junto de alguns amigos paulistas depressa me confirmou a suspeita de que ainda há muito boa gente que não se deu conta do óbvio: a Julice serve, no presente, um dos melhores cafés da manhã da cidade.

[A entrada da Julice Boulangère (foto de divulgação)]

Corrijo: não um, mas quatro, pois são quatro as possibilidades (ou kits, como entenderam lhes chamar) com combinações e preços diferentes.

[O padeiro francês Didier Rosada e Julice Vaz (foto de divulgação)]

A mentora do projeto é Julice Vaz, cada vez mais uma presença assídua em revistas e em programas de TV, e o sucesso crescente da casa só revela que seu faro estava certo quando resolveu investir a sério no negócio dos pães artesanais para bico fino.

[A loja da Julice Boulangère (foto de divulgação)]

Instalada num bonito sobrado de dois andares, tingido de um tom coral, com jardim a condizer, a padaria tem um gostinho a França que não é, claro, coisa do acaso. Depois de estudar panificação no Brasil, e de ter inclusive estagiado no Grupo Fasano, Julice Vaz rumou a São Francisco e a Nantes para se aperfeiçoar. 

[Outro ângulo da loja da Julice Boulangère (foto de divulgação)]

Voltou de lá encantada com o processo de fermentação levain (técnica de fermentação natural), que trata agora de aplicar nos cerca de 20 tipos de pães diferentes que produz, diariamente, e que se agrupam nas variedades de integrais, tradicionais e gourmet.

[O pátio ajardinado da Julice Boulangère (foto de divulgação)]

É o tipo de coisa que precisa ser vista, e saboreada, para ser devidamente apreciada. Mas desde já fica o aviso: não é nada fácil sair da loja de mãos e estômago vazios. Não bastasse a visão tentadora dos pães, e seus doces aromas inebriantes, há ainda uma linha de geleias, chutneys, bebidas, mostardas ou bolos, entre outros produtos, que não lhe fica atrás.

[Alguns dos carros-chefe da padaria: pão de chocolate com ameixa (no topo), brioches integrais (acima, à esq.) e pão de linhaça com castanha do pará (fotos de divulgação)]

Refeições ligeiras fazem igualmente parte das opções, mas, arrisco-me a dizer, a grande sacada da Julice Boulangère foi mesmo fazer do ritual do café da manhã um pretexto para degustar seus vários tipos de pães e bolos.

[O kit 2 do café da manhã servido na Julice Boulangère (foto de divulgação)]

O dia mais concorrido para o fazer é, sem surpresa, o sábado. Se estiver sol então, é até mais do que provável que tenha de esperar por sua vez para se instalar numa das aprazíveis mesas que ficam abrigadas sob a pérgula.


[O pátio ajardinado da Julice Boulangère (foto de divulgação)]


O preço dos kits de café da manhã começa nos R$20 e vai até aos R$37. Já foi mais barato no início, mas continua a ter um ótimo custo-benefício. Na minha recente visita optei pelo kit 2 (R$27) que inclui suco de laranja, uma bebida à escolha (café, cappuccino ou chá), mamão-papaia, bolo do dia, manteiga, duas geleias e uma cesta com três pães à escolha.


[Outro ângulo do pátio da Julice Boulangère (foto de divulgação)]


Se a minha recomendação servir para alguma coisa, acrescento que sou completamente fã do pão de linhaça com castanha do pará, do brioche de farinha integral e do pão de chocolate com ameixa. Só não digo que são de comer e chorar por mais, porque as porções servidas são bem generosas, mas, na saída, é bem provável que se sinta tentado a levar mais alguns para comer depois em casa.


Sim, o risco de ficar dependente dos pães da Julice é grande.

Av. Deputado Lacerda Franco, 536, Pinheiros (SP), tels. 11 3097-9144 e 3097-9162, de seg. a sáb., entre as 8.30 e as 20.00

6.6.11

#atrações irresistíveis: teatro municipal renovado e mais gourmet (SP)

[Teatro Municipal reabre ao público após três anos de obras (foto D.R.)]


Demorou, mas agora é de vez. Após três anos de trabalhos, o Teatro Municipal de São Paulo abre de novo suas portas, ao que tudo indica nos dias 10 e 11 de Junho (mas só para convidados).

O grande público terá apenas de esperar até ao dia 12 de Junho, altura em que será realizado, às 17 horas, um concerto pela Orquestra Sinfônica Municipal, Coral Lírico e Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo. Os bilhetes estão à venda desde o dia 2, mas a programação para o que resta da temporada de 2011 promete ser variada, com inúmeros concertos, espetáculos de dança e ópera.


Outra novidade de peso diz respeito à área gastronômica. A licitação para explorar o café e restaurante do teatro foi ganha por Adolfo Gorenstein, um restaurateur conhecido por seus fartos bufês na Sala São Paulo e no MASP.

[Terrine de ricota e laranja Kinkan, um sucesso do Bistro da Sara que transita para o cardápio do novo café (©mario rodrigues)]

Mas não é tudo. O novo espaço de restauração do museu, que deve estar funcionando já em finais de Junho, terá ainda a curadoria, no café da manhã e ao almoço, de Sandra Valéria Silva. Talvez assim o nome não diga grande coisa a muita gente, mas se eu acrescentar que se trata da dona do Bistro da Sara, em Bom Retiro (SP), o caso muda de figura, certo?

[cheesecake de pistache com calda de amora, uma das sobremesas  do novo café do teatro (@mario rodrigues)]

No porão do Bom Retiro, Sandra tornou-se conhecida por seu bufê de cozinha rápida, mas muito saborosa, pelo que nas propostas do café vai repetir pratos como lula recheada de farofinha de pistache, pernil de vitelo assado, terrine de ricota e laranja kinkan, além de doces como o cheesecake de pistache com calda de amora (as sobremesas também estarão disponíveis no bar, entre as 9 e as 16 horas).

Praça Ramos de Azevedo, s/nº, tel. (11) 3397 0300
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