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28.9.11

#gente em destaque: as escolhas de santiago bebianno em búzios (RJ)

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[O empresário Santiago Bebianno, fotografado no Rocka, em Búzios (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

De quando em vez, o empresário Santiago Bebianno, surfista nas horas vagas, faz as delícias das revistas do coração, mas não foi seguramente isso que me fez tê-lo aqui como cicerone.

[A piscina do Casas Brancas (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Criado em Búzios, Santiago é, com seu estilo assumidamente cool — camisa, jeans e havaianas são sua imagem de marca —, um anfitrião de mão cheia, mais do que habituado a receber quem se hospeda no charmoso Casas Brancas e/ou frequenta os dois restaurantes do hotel em plena Orla Bardot, de que é gerente. 

[Gustavo Rinkevich e Santiago Bebianno no Rocka, praia Brava (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Há coisa de um ano e meio, Santiago, em parceria com o chef argentino Gustavo Rinkevich, abriu também o beach lounge & restaurant Rocka, na praia Brava, que rapidamente virou o point mais quente de Búzios e arredores, com direito a celebridades "Globais" nos finais de semana de maior agito.

[O beach lounge do Rocka, debruçado sobre a praia Brava (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Bem-humorado, Santiago costuma ironizar que não divulga muito sua "metade" argentina (por parte de mãe), mas, como todos sabemos, isso não é propriamente uma desvantagem em Búzios. Com uma das mais belas vistas, o Casas Brancas nasceu em 1974, na casa construída por seu pai, com apenas quatro quartos. Hoje, ampliado e com um total de 32 apartamentos personalizados (além de um pequeno spa premiado), continua sendo gerido de forma familiar, mas Santiago compartilha agora de bom grado áreas que outrora era de uso exclusivo da família: "a suíte 18, por exemplo, costumava ser a minha sala, onde cresci".

[A vista da suite 18, no Casas Brancas (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Assíduo do eixo Búzios-Rio (muitos de seus clientes vêm precisamente da capital fluminense), Santiago não esconde que, vira e mexe, precisa sair de Búzios para espairecer. Sua última descoberta, que o deixa para lá de entusiasmado, é o esquema house swap (sites que promovem a permuta de casas em várias partes do mundo), que já o levou a trocar umas noites no Casas Brancas por uns dias de férias numa casa da Comporta, estância rural-chic a sul de Lisboa, em Portugal.

Enquanto isso não se concretiza, aproveitei para lhe pedir, em exclusivo, que compartilhasse com meus leitores algumas dicas que podem fazer toda a diferença em Búzios:

[Praia da Azeda, com a Azedinha ao fundo (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

1) Final de tarde na Praia Azeda. Além de ser um dos lugares mais lindos para aproveitar o pôr-do-sol, quando a noite vem caindo, os pescadores locais começam a fazer o "arrastão"  (puxar a rede até a beira da praia). Um espetáculo por si só.

[©joão miguel simões, todos os direitos reservados]


2) Passeio na tradicional "traineira". Estes são os barcos de pesca dos locais, onde passeios são individuais (excelente para casais ou pequenos grupos), onde o roteiro e horas de viagem podem ser decididos já embarcados. Não existe roteiro fixo, just go with the flow...

[Panorâmica da praia de Tucuns (foto com direitos reservados)]



3) Surf na Praia de Tucuns. Esta praia, com quase o triplo de extensão que sua vizinha Geribá, permite locais onde se pode surfar sozinho e aproveitar o areal quase deserto.

[Cardume de peixes avistados durante mergulho na Ilha de Âncora (©carlos costabile, todos os direitos reservados)]


4) Mergulho na Ilha de Âncora. Com água sempre cristalina, esta ilha que fica a 40 minutos da costa, é um parque natural com centenas de tartarugas e peixes dos mais variados tamanhos e cores.

[O restaurante do Rocka, debruçado sobre a praia Brava (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

5) Como não poderia deixar de ser... A paella de domingo no restaurante Rocka, da Praia Brava. Poder degustar os frutos do mar fresquíssimos saboreando uma taça de champanhe ou um bom vinho, fazem deste um dos melhores programas da cidade. A paella só é servida aos domingos. 

19.9.11

#praias de sonho: corumbau (BA)


[©joão miguel simões, todos os direitos reservados]

A viagem até ao extremo sul do litoral baiano, conhecido por Costa das Baleias, continua a exigir muitas horas de viagem, nem sempre nas melhores condições, e disposição para gastar mais do que em muitos outros destinos brasileiros com praia e mar.

[Boas-vindas no Vila Naiá, um rústico-chic-design no topo da wish-list de Corumbau (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

[A piscina do Vila Naiá (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

[A praia frente ao Vila Naiá (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Nada, porém, que faça grande diferença à maioria dos felizardos que chegam a Corumbau, provenientes da região Sudeste, para quem, por norma, dinheiro não é problema. Por isso mesmo, não se fazem rogados em pagar diárias desde mil reais nos hotéis e pousadas mais exclusivos que colocaram o vilarejo de pescadores no mapa dos destinos mais desejados do momento; tão pouco vêem um obstáculo nas estradas de terra esburacadas de acesso. É que eles chegam sobretudo por mar ou de helicóptero.

[©joão miguel simões, todos os direitos reservados]

[©joão miguel simões, todos os direitos reservados]

[©joão miguel simões, todos os direitos reservados]

Mas, se acreditarmos que tudo o que vale realmente a pena nesta vida tem um preço, então o de Corumbau, juro, nem é tão alto assim.

[©joão miguel simões, todos os direitos reservados]

[©joão miguel simões, todos os direitos reservados]

[©joão miguel simões, todos os direitos reservados]

Durante quatro dias, percorri alguns dos pontos mais emblemáticos do distrito de Prado, a pouco mais de três horas de carro de Porto Seguro. Prado, que funciona como base para quem quer explorar a Costa das Baleias, e demais atrações ficarão para os posts seguintes.

[©joão miguel simões, todos os direitos reservados]

[©joão miguel simões, todos os direitos reservados]


[©joão miguel simões, todos os direitos reservados]


Começo por Corumbau por uma razão simples: à exceção do arquipélago de Abrolhos, outro momento alto deste meu mais recente roteiro na Bahia,  era quem me suscitava maiores expectativas. Por tudo o que lera, ouvira... Só me faltava mesmo ver para crer. E confirmar.

[Foz do rio Corumbau (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

[Foz do rio Corumbau (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Pergunto: o que esperar de um lugar cujo nome, de origem tupi, significa “o fim do mundo e o começo da terra” ou "longe de tudo"?

[Ponta de Corumbau (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

No mínimo, algo que faça justiça a tamanha poesia, não? Sempre mais; e nunca menos.

[©joão miguel simões, todos os direitos reservados]

Sem helicóptero nem barco que me valesse — mas há passeios, de um dia, de barco a partir de Cumuruxatiba ou Caraíva em torno dos R$60-70, segundo apurei—, eu tive mesmo foi que enfrentar duas horas de viagem entre Prado e Corumbau. A primeira parte da jornada, pela BR-101 que liga Itamaraju a Prado, é tranqüila, mas depois, a partir do vilarejo de Guarani, a solução é mesmo encarar com espírito positivo os mais de 50 quilômetros que se seguem em estrada de terra. E rezar para que não tenha chovido na véspera e para que o carro não quebre. Porque se quebrar, como me aconteceu — por oito vezes, sim, oito vezes —, o remédio é apelar para a filosofia baiana e, como tão bem resumiu uma companheira de viagem, concluir que “na Bahia, mesmo quando tudo parece que vai dar errado, dá certo”.

[Vivenda Xawã (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

E deu. Ó, se deu.

Gente, são 15 quilômetros de praias de areia fofa, mas boa de andar, amarelinha como uma farofa deliciosa. Algumas, em especial as que se servem os hotéis mais exclusivos como a Pousada Fazenda São Francisco (do ex-deputado federal Ulysses Guimarães), são, na prática, praticamente privadas. Mas relaxem os que não gostam de feudos: areia e mar manso  não faltam e ninguém fica sem seu quinhão de(ste) paraíso. Agora, claro, as pousadas mais rústicas — mais ainda assim bem charmosinhas como a Vivenda Xawã (diárias desde R$140 por casal na baixa temporada), com projeto arquitetônico de sua proprietária e onde me lambuzei com uma mousse di-vi-na de capim santo com limão — não dão de frente para a praia.

[Camarão na moranga, servido na Vivenda Xawã (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Mesmo sem o verde cristalino, característico do Verão, o mar de Corumbau deixou-me hipnotizado. Talvez porque forme uma dupla imbatível com aquele extenso areal, a perder de vista (e, tantas vezes, sem vivalma à vista), bordejado ora por falésias, ora por coqueirais. O segredo, que não é mais, está nos 10 quilômetros de recifes de coral que adentram ao mar e  criam uma enseada tranqüila.

[O chef da Xawã com a sobremesa-delícia: mousse de capim santo com limão (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Nas barracas de praia, bem transadas, uma cerveja custa R$5. Já um passeio de caiaque não sai por menos de R$60 e um passeio de barco  para fazer mergulho com snorkel nos corais do Carapeba — nos dias de sorte, dá para nadar com tartarugas-marinhas e para ver, em terra, a silhueta bem desenhada do fabuloso Monte Pascoal — fica por R$250 (até cinco pessoas). Isto com os operadores locais; nas pousadas, com meios mais sofisticados, o custo é ainda mais inflacionado.

Corumbau é isolado. Não pega celular. Está longe da civilização. Mas não do luxo.

Mas não é isenta de prazeres simples. No vilarejo, em Ponta de Corumbau — assim chamada porque, na maré baixa, dá para ver uma longa ponta de areia que se estende desde a foz do rio Corumbau até ao mar, culminando num confronto de águas que formam piscinas naturais —, a vida prossegue sem grandes sobressaltos e as pessoas continuam vivendo praticamente do mesmo jeito. As que ficaram, bem entendido, pois muitas delas, com ligações aos índios Pataxós, venderam seus casebres e se mudaram para o outro lado do rio, em Barra Velha, onde fica a Reserva.

Mais informações: Bahia 
Operadores: Caminhos da Bahia; Prado Tour (e-mail: luiz@pradotour.com.br, tel. 073 3021-0336)
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