16.8.11

#prévia: txai e fasano em trancoso (BA)

[Litoral de Trancoso, onde irá surgir, no final de 2014, um novo Fasano (foto de divulgação)]
No ano passado, quando estive em Trancoso, o pedaço mais desejado do litoral sul da Bahia (e também um dos metros quadrados mais caros do Brasil e da América Latina), só tive olhos para projetos então recentes como a Casa Uxua ou a Pousada Bendito Seja, mas, desde logo, fiquei antenado para outras novidades que estão a caminho.

Entre elas, as mais aguardadas e comentadas são, sem lugar para dúvidas, o Txai Terravista Trancoso e o Fasano Trancoso, pois as duas redes hoteleiras já provaram, em terrenos e circunstâncias diferentes, que não brincam em serviço. Praticam aquilo que podemos designar de hotelaria feita à medida de quem procura exclusividade, bom gosto e tratamento diferenciado.

As obras ainda não arrancaram, mas consegui ter já acesso a algumas imagens e croquis que partilho aqui para abrir o apetite.

[O fabuloso campo de golf Terravista fará parte dos atrativos do futuro Txai Trancoso (foto de divulgação)]

Txai Terravista Trancoso
Estou no buraco 14 do Terravista Golf. De norte a sul, até onde meus olhos alcançam, um dos mais belos litorais da Bahia, trecho da cobiçada Costa dos Descobrimentos, com uma sucessão de praias mais ou menos acessíveis, mais ou menos desertas, mas quase sempre apetecíveis. 


Não é à toa que o buraco 14 está entre os dez mais bonitos do mundo. Debruçado sobre a praia de Taípe, no cimo de uma falésia rosa, é o tipo de coisa que faz um não golfista como eu pensar duas vezes. 


O acesso ao Terravista Golf, bem como ao heliponto, será um dos muitos privlégios de que irá dispor o futuro Txai Terravista Trancoso. Depois de ter colocado Itacaré no mapa graças a seu resort de luxo, a marca Txai, que está também a desenvolver um hotel em Ganchos (Santa Catarina), escolheu o complexo Terravista, entre Arraial d’Ajuda e Trancoso, para criar um oásis de 70 mil m2 com oito bangalôs, 104 villas, 19 residências, um spa e um restaurante gourmet com adega.



[A piscina principal do futuro Txai Terravista (foto de divulgação)]

Com abertura prevista para Dezembro de 2014, o novo Txai terá uma arquitetura aberta para o exterior de Patrícia Anastassiadis e projeto paisagístico de Gil Fialho, seguindo um conceito de sustentabilidade e integração à natureza, e funcionará também como hotel-condomínio. 


No release pode-se ainda ler:


[Serão assim os bangalôs do Txai Terravista (foto de divulgação)]

"Os bangalôs contam com dois modelos distintos de planta, que podem variar entre cerca de 90 m² e 142 m² de área total privativa. São projetos com a característica da integração dos ambientes. Destacam-se as suítes que possuem uma ampla sala de banho com jardim. Para valorizar e dar maior privacidade aos proprietários e hóspedes, os bangalôs serão suspensos e envolvidos pelo paisagismo que dará um toque exótico à vista de cada unidade.



[Villa do Txai Terravista (foto de divulgação)]


Já as Villas possuirão diferentes tipos de plantas internas com opções de 1 ou 2 suítes, com total de área privativa variando entre 100 m² a 354 m². O projeto conta com 3 blocos de villas com unidades de pavimento térreo e superior. Aquelas de pavimento térreo possuirão jardins privativos, com espaços com deck, já os de pavimento superior terão sacadas com deck. O projeto segue a mesma linha de integração entre suíte e sala de banho, com jardins e living com cozinha gourmet já presentes nos projetos da marca Txai. A arquitetura, que favorece à contemplação da beleza do local, foi valorizada com a composição dos ambientes voltados para o externo e portas amplas para a entrada de maior luminosidade natural. Outro destaque do projeto são as cozinhas gourmet que receberam uma atenção especial no projeto e que deixam o proprietário ou hóspede à vontade para, se necessário, poder fazer pequenas refeições em sua própria unidade. 


[Uma das 19 residências previstas no Txai Terravista (foto de divulgação)]


Por fim, os Residences possuirão áreas privativas de terreno variando entre 1.160 m² a 2.830 m² e unidades que poderão ser totalmente personalizadas. Já serão apresentados 5 tipos de projetos aprovados e opções de pacotes de decoração, procurando se ajustar ao perfil de cada cliente."
Mais informações: www.txai.com.br

Fasano Trancoso
Depois de São Paulo e Rio, o grupo Fasano tem estabelecido algumas parcerias que já lhe permitiram abrir unidades em Punta del Este e, mais recentemente, na Bela Vista. Nos próximos anos, outros Fasanos se seguirão em Salvador, Belo Horizonte e Trancoso.

Na verdade, o Fasano Trancoso não vai ficar instalado no famoso Quadrado, mas sim numa praia a alguns quilômetros do centro.


[Croqui de divulgação do futuro Fasano Trancoso]


Ponta da Itapororoca, com vasto areal e piscinas naturais formadas na maré baixa, foi a praia escolhida e, enquanto não melhoram os acessos por estrada até lá, o que posso dizer é que compensa o esforço de caminhar por uns bons 45 minutos, desde Rio Verde, para alcançá-la. 

Não se sabe ainda muita coisa sobre esta propriedade, que deverá também abrir no final de 2014, mas tudo indica que terá apenas 40 quartos, 23 unidades destinadas a residências, um spa, um restaurante e um beach club.

[Croqui de divulgação do futuro Fasano Trancoso]

Impressionante será seu deck de 500 metros, ao longo de toda a frente de praia, e conjunto de oito piscinas. Isso mesmo, oito piscinas, pois a idéia é que cada uma delas mime os hóspedes com uma característica distinta (num caso serão bolhas, noutro a água será gelada, noutro ainda serão jatos de massagens e por ai vai...). O céu parece ser o limite.

Faltou dizer que o projeto será assinado pelo arquiteto paulistano Isay Weinfeld.
Mais informações: www.fasano.com.br

27.7.11

#vinhos: espumantes brasileiros em foco na GQ inglesa

[A vinícola Miolo, no Vale dos Vinhedos, onde se produz o espumante brasileiro elogiado na edição de Agosto da GQ inglesa (foto abaixo)]

Nem só de cachaça e caipirinha se faz a fama do Brasil fora de portas.

A prová-lo, a edição de Agosto da revista masculina GQ, versão inglesa, dedica a página de sua seção de vinhos aos espumantes brasileiros e o tom é francamente elogioso.

Diz o autor, Jonathan Ray, que se surpreendeu ao degustar um Miolo Espumante Millésime Brut, produzido na vinícola de Bento Gonçalves, no Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul.

[O artigo da GQ, edição de Agosto (direitos reservados)]

A Miolo, a maior exportadora do Brasil, produz vários vinhos, mas foi seu espumante, obtido a partir das castas de Chardonnay e Pinot Noir, que conquistou o paladar do jornalista e cutucou sua curiosidade. 

Ele identificou um gosto levemente torrado e com notas de mel que o deixaram maravilhado e tentado a experimentar as produções de outras casas nacionais como Aurora, Pizzato, Valduga ou Salton.

18.7.11

#prévia: itaim (SP) vai ganhar filial do bar Louis


[São Paulo vai ganhar uma filial (simulação abaixo) do bar Louis de Miami Beach (foto acima)]


São Paulo soma e segue. Se tudo correr como previsto, Itaim, que ainda recentemente ganhou novos restaurantes inspirados no estilo nova-iorquino (vide Butcher's Market), deve receber em Setembro uma filial do bar Louis, sucesso absoluto em Miami Beach, onde gaba-se de ter entre seus clientes celebridades como Lady Gaga, Bono Vox ou David Guetta.

O principal responsável pela chegada da franquia à capital paulista é o empresário Marcus Buaiz, também conhecido por ser marido da cantora Wanessa, mas na aventura estão ainda Fábio Faria, Marcelo Checon, Kako Perroy, Luca Salvia e João Paulo Affonseca.


[O empresário Marcus Buaiz em sua casa noturna paulistana Royal, que vai ganhar uma filial em Goiânia (foto com direitos reservados)]

Buaiz, que já possui o badalado clube noturno Royal em São Paulo (e cujo conceito está exportando para Goiânia), acredita no potencial do projeto e escolheu um bom endereço: rua Amauri, bem do lado do restaurante Ecco. A decoração do espaço será assinada pelo designer francês François Frossard, com provas dadas no Bellagio Hotel de Las Vegas, e promete muito glamour e uma atmosfera "new romantic".

É esperar para ver.

4.7.11

#grandes hotéis: emiliano (SP) lança livro premiado

[A incrível cobertura do Emiliano, com seus ofurôs (foto de divulgação)]
Os anos passam rápido.

[A capa do livro lançado para assinalar os 10 anos do hotel Emiliano, em São Paulo (foto de divulgação)]

Emiliano, hotel pioneiro em São Paulo por sua aposta na contemporaneidade, num serviço altamente personalizado e em pequenos-grandes detalhes que o tornam apelativo até para quem não é hóspede, está comemorando 10 anos.

[As crônicas relatam histórias verídicas que aconteceram no hotel (foto de divulgação)]

Isso mesmo, já passaram 10 anos.

[Um total de 128 páginas, com um design premiado em Cannes (foto de divulgação)]

Claro que 10 anos dão para muita coisa. Histórias para contar, então, tem de sobra.

[O livro foi lançado, no dia 30 de Junho, na livraria Cultura, em São Paulo (©andré ligeiro, todos os direitos reservados)]

Ou tinha, porque mesmo não tendo esgotado todas, o hotel resolveu juntar as melhores — aquelas que merecem ser passadas para a posteridade — num livro intitulado “As Crônicas Inacreditáveis do Emiliano”.

 [O livro vem com uma chave encartada para abrir as páginas picotadas (©andré ligeiro, todos os direitos reservados)]

Lançado no dia 30 de Junho, na livraria Cultura de São Paulo,  o livro relata, ao longo de 128 páginas, histórias verídicas  sobre desejos e situações que aconteceram no hotel, mas não o faz do jeito mais convencional.  Com consultoria de Charles Cosac, da editora Cosac Naify, e criação da JWT, o projeto editorial distingue-se, desde logo, por seu design inovador.


Tão inovador, que, mesmo antes de ser apresentado ao público, já contava com um importante galardão: ele ganhou o Leão de Ouro, na categoria design, no Festival de Cannes de 2011 (ver vídeo acima).

Com um grafismo cuidado ao extremo, o livro apresenta páginas duplas picotadas abertas por uma chave, igual às usadas no Emiliano, que surge encartada no livro. Só assim descobrimos as crônicas que deram origem à campanha “O inacreditável fica no Emiliano”, com ilustrações de Eduardo Recife, fotografias de Tuca Reinés e pequenos textos de Luiz Filipin (ver vídeo de apresentação abaixo).


Uma obra que faz jus ao espírito do Emiliano e à arquitetura minimalista de Arthur Mattos Casas.

#grandes hotéis: copacabana palace (RJ) de olho no futuro

[O edifício principal do Copa vai fechar para obras em 2012. O restaurante Cipriani já fechou, mas apenas por dois meses, para uma remodelação (foto de divulgação)]

Um spa, um novo bar, suites redecoradas... Ao longo dos últimos anos, o Copacabana Palace tem sabido fazer pequenos ajustes e alargar sua oferta, sem deixar cair aquilo que o distingue dos demais. Sua vocação não é ser moderninho ou cool. O Copa nasceu para ser um grande hotel, com glamour, serviço impecável e uma classe capaz de atravessar os tempos.

O Copacabana não é o Fasano e o Fasano não é o Copacabana. Entendidas as diferenças, o Rio só ganhou por ter um e outro. 

[Este croqui mostra como ficará o Cipriani depois da remodelação (©bruno agostini, todos os direitos reservados)]

Nos últimos dias, foi anunciado que o edifício principal do histórico hotel vai fechar para obras, por um período de cinco meses, em 2012. Entre outras melhorias, o hotel vai ganhar novos acessos para cadeirantes.

[Neste croqui dá para ver algumas mostras dos tecidos que serão ultilizados (©bruno agostini, todos os direitos reservados)]

Entretanto, e numa altura em que comemora 17 anos de existência, o restaurante Cipriani, no anexo e virado para a fabulosa piscina do Copa (para mim, um dos cenários mais incríveis do Rio), já adiantou-se e fechou para uma pequena reforma de dois meses.

[Novos uniformes do staff do Cipriani (©bruno agostini, todos os direitos reservados)]

Quando reabrir, o Cipriani, conforme foi dado a conhecer através de croquis, vai ostentar um look ainda mais italiano graças à intervenção do decorador Michel Jouanet, que deslocou-se recentemente a Veneza para escolher tecidos, comprar vasos de Murano e um novo tapete. Outras novidades no restaurante serão os uniformes do staff e as louças — aliás, detalhe delicioso, o hotel ofereceu um jogo de pratos do serviço antigo como recordação aos jornalistas que estiveram presentes na refeição de despedida.

30.6.11

#gastronomia: vítor sobral e outros portugueses à conquista de São Paulo

[Vítor Sobral, o chef português mais conhecido no Brasil, fotografado em Lisboa; abaixo: o livro que acabou de lançar pela editora brasileira Senac (fotos com direitos reservados)] 

Existem alguns restaurantes portugueses de referência no Brasil, mas, há anos que não há nada de realmente novo e emocionante nesse capítulo. E o fato é que a cozinha lusa, ainda que adaptada a Terras Brasilis (como português eu sinto, e até entendo, essa necessidade de adaptação a outro meio, a outros paladares), tem vindo a perder terreno para outras nessa imensa Babilônia gourmet que é, para citar o óbvio, a cidade de São Paulo.

E eis que fico sabendo, escutando ali, lendo acolá, que o chef português mais conhecido no Brasil, Vítor Sobral, prepara-se para abrir no dia 12 de Julho, nos Jardins (alameda Itú), uma filial da sua Tasca da Esquina, casa com dois anos que tem feito muito sucesso em Lisboa.

No Brasil, o termo tasca não é usado, mas é uma coisa idêntica ao boteco, com comida sem grandes frescuras e um gosto caseiro, que Sobral, com sua imensa experiência na alta gastronomia, tem sabido transformar num porto seguro para quem está cansado das "invencionices" e do experimentalismo da cozinha dita molecular, e seus sucedâneos, e quer voltar a pratos simples, com uma raiz assumidamente popular, mas bem confecionados. 

Em outras palavras, comida para o dia a dia, do velho receituário, mas revisitada por quem é deste tempo e entende da coisa. Em Lisboa, Sobral tem-se saído bem com a experiência — inaugurou faz pouco tempo a Cervejaria da Esquina, sobre a qual falo aqui — e está neste momento, ao que tudo indica, em São Paulo treinando a equipe que vai ficar na filial paulistana. Aliás, o chef acabou de lançar no Brasil seu livro "Alentejo Além-Mar", publicado pela editora Senac.

Mas há mais. Outra "tasca", sem nome ainda definido, deve abrir na zona oeste, na esquina das ruas Pinheiros e Virgílio de Carvalho Pinto, e será comandada por ex-funcionários do Antiquarius e da Brasserie Eric Jacquin. 

É esperar para ver o que trarão de novo estes dois espaços.


Post scriptum: descobri depois de escrever este post, que mais uma tasca, chamada Taberna 747, prepara-se para abrir suas portas na esquina das ruas Sampaio Vidal e Maria Carolina (Jardim Europa). A casa será comandada pelo restaurateur Ipe Moraes, da Adega Santiago.

27.6.11

#gente em destaque: alex atala e os sabores brasileiros em the new york times

[Alex Atala durante uma demonstração, em Lisboa, apresentado as raízes da priprioca (©mesa marcada); abaixo: close das raízes (foto com direitos reservados)]

Não faz tanto tempo assim, por conta de viagens ainda recentes a Goiás e Pará — de que vou dando conta neste blog em diferentes posts —, tive oportunidade de provar, pela primeira vez, vários frutos e ingredientes amazônicos que, aos poucos, estão não só conquistando o resto do Brasil, mas também atraindo a curiosidade do mundo inteiro. De todo o modo, eu considero que minha estréia pra valer, nessa matéria, deu-se numa passagem, dois anos atrás, pelo Maranhão, para muitos uma espécie de pré-Amazônia, onde fiquei, por exemplo, conhecendo o bacuri (polpa branca e sabor bem intenso).

[Bacuris (foto com direitos reservados)]

Nem sempre é muito justo destacar apenas um nome quando os contributos, válidos para mais, chegam de muitos lados, mas ninguém levará a mal se eu disser que o chef Alex Atala, mais do que todos os outros, tem desempenhado, dentro mas sobretudo fora do país, um papel fundamental em todo este processo de levantamento, experimentação e divulgação do potencial amazônico a favor da cozinha contemporânea brasileira.

Por isso, e porque a elevação do D.O.M à sétima posição no ranking dos 50 melhores restaurante do mundo em 2011 segundo a revista Restaurant o colocou ainda mais — se é que é possível — na mira mundial, não admira que The New York Times, num guia recente sobre a cidade de São Paulo, tenha feito menção em sua resenha ao sorvete de cagaita servido no restaurante. O fato não passou desapercebido e está abrindo caminho para que entendidos juntem agora à conversa outros nomes improváveis como maturi (que provei numa deliciosa moqueca do chef Beto Pimentel, em Salvador), licuri (na foto, ainda no pé da palmeira), achachairu ou priprioca, só para citar alguns.

[Maturis no pé, ou seja castanhas de caju verdes (foto com direitos reservados)]

Muitos brasileiros não conhecem a cagaita — pude comprová-lo quando, deliciado pela descoberta desse sabor através dos sorvetes goianos Frutos do Cerrado, falei a vários amigos e a maioria ficou à toa —, o que dirão os gringos para quem uma pitanga ou uma acerola já são para lá de exóticas.

[Uma cagaita madura, pouco maior do que a moeda de R$1 (foto com direitos reservados)]


Como sempre digo, uma coisa leva a outra. O Brasil está na ordem no dia, mas não é só sua economia que está emergente. Nunca como agora a cozinha brasileira, muito por conta do trabalho de regaste dos ingredientes regionais desenvolvido por Atala e por outros virtuosos como Ana Beatriz Trajano (do Brasil a Gosto) ou Mara Salles (do Tordesilhas), despertou tamanho entusiasmo. Uma prova? Será um dos países-tema, juntamente com o México e o Peru, do Gastronomika, um importante congresso gastronômico do País Basco espanhol, agendado para o próximo mês de Novembro e no qual prevê-se a presença de vários chefs-top do Brasil.

Que a pretexto de tudo isto que está acontecendo, sejam cada vez mais os brasileiros (e não só) tentados a saber mais sobre seus produtos. Como português, reconheço na herança que deixámos aos brasileiros essa tendência para buscar sempre a aprovação de fora e para, muitas vezes, só darmos valor ao que é nosso quando os outros aprovam.

[É assim a cagaiteira durante a floração (foto com direitos reservados)]


Mais do que apenas saber reconhecer a cagaita, ideal para sucos e sorvetes, importa também descobrir que sua árvore ostenta uma belíssima floração branca (como flocos de algodão) nos meses de Agosto e Setembro, enfeitando a paisagem do cerrado brasileiro. Ou que a priprioca, mais uma planta amazônica de cujas raízes extrai-se um potente aroma idêntico ao patchouli, é um agente aromatizador que está fazendo furor e que Alex Atala, sempre ele, não se cansa de divulgar fora do Brasil — ainda em Maio fez questão de apresentar a raiz num evento gastronómico em Lisboa que tinha o peixe por principal mote.

[Pudim de leite, ravióli de limão e banana ouro, uma das sobremesas de Atala que levam o aroma de priprioca (foto com direitos reservados)]

Sobre a priprioca, que pode ser encontrada em algumas barraquinhas especializadas de São Paulo, importa dizer que  seu aroma, como Atala admite, também lembra um pouco a maconha, mas na cozinha, sobretudo em sobremesas, ela faz as vezes da baunilha. Ou seja, uma tremenda viagem sensorial.

20.6.11

#pequeno hotel de charme: Anavilhanas Jungle Lodge, em Nova Airão (AM)

[O arquipélago das Anavilhanas é dos mais belos parques do Amazonas; abaixo: placa do Anavilhanas Jungle Lodge (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Entre as várias “cidades” no meio da floresta amazônica que estão começando a desabrochar para o turismo, sem dúvida que Novo Airão, entre o rio Negro e o arquipélago das Anavilhanas (um dos maiores da região, com mais de 400 ilhas), é aquela que, no conjunto, proporciona a melhor experiência.

Para isso contribui, e muito, o Anavilhanas Jungle Lodge, com apenas 20 bangalós (quatro dos quais, com paredes de vidro para aumentar a sensação de imersão na mata à volta) e um conceito que o torna luxuoso sem deixar de ser rústico.


[Travessia em ferry (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

[A nova ponte Iranduba, na altura ainda em construção (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Para lá chegar, são precisas entre três a quatro horas de estrada a partir de Manaus (com a nova ponte de Iranduba, é provável que demore um pouco menos agora), pelo que é prática da casa exigir que se fique, no mínimo, três dias com tudo incluído (exceto bebidas).

[Entre os 20 bangalós, existem diferentes categorias (©psr/rotas, todos os direitos reservados)]

[Os bangalós mais luxuosos, no topo, possuem paredes de vidro; caimão-fêmea (©psr/rotas, todos os direitos reservados)]
[Além de números, os bangalós são identificados por animais, que indicam depois os lugares à mesa no restaurante (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

O conforto dos bangalós, a arquitetura aberta, os banhos de sol no deque de madeira à volta da piscina debruçada sobre o rio (os mais descolados alternam braçadas numa e noutro), os fartos bufês servidos ao longo do dia na choupana-restaurante, a Internet por satélite, a leitura ou a simples preguiça numa rede, tudo isso são detalhes que fazem a diferença, e merecem ser desfrutados. 


[A sala comum do lodge, com Internet por satélite (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

[A piscina de borda infinita, sobre o rio Negro, permite relaxar entre passeios (©psr/rotas, todos os direitos reservados)]

Mas, como num safari, no preço do pacote estão incluídos todos os passeios, de barco ou a pé, mas sempre com vigilância, em diversos pontos das ilhas Anavilhanas.  Não são obrigatórios, claro, mas não seria a mesma coisa. 

[Saída para um passeio de barco (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

[O cais de embarque do lodge (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Para manter grupos pequenos, os hóspedes são divididos e vão rodando nas diferentes atividades previstas durante sua estadia. É uma forma, bem bolada, de promover o convívio e de todos partilharem, à hora das refeições, o que viram e fizeram ao longo da jornada. 

[O Anavilhanas Lodge possui pessoal especializado para acompanhar os hóspedes em seus passeios pelo arquipélago (©psr/rotas, todos os direitos reservados)]


[Os passeios à pé permitem explorar a mata amazônica de nível 1 (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Alguns guias, como Leandro, são indígenas, o que dá outro sabor a pequenos ensinamentos — como usar a mata a nosso favor, servindo-nos de troncos ocos, por exemplo, para emitir sons — e transmite confiança para abraçar árvores colossais, degustar certas larvas, caminhar descalço ou deixar uma enorme e peluda aranha-caranguejeira trepar pelo nosso braço.


[A choupana-restarante de dia e vista de fora (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

[A choupana-restaurante de noite, com as mesas a preceito para o jantar (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]


Para pena minha, não sobra tempo para ir até ao Parque Nacional do Jaú (só de barco, seriam mais seis horas, implicando acampar ou pernoitar na casa de locais), mas fica-me o consolo de ter visto um dos mais radiosos amanheceres da minha vida às margens do Negro, antes de sair de barco em mais um passeio para a observação de aves madrugadoras (mais ouvi do que vi), e de ter tido o privilégio de, apenas iluminado pelo luar refletido no rio, sair no encalce de criaturas noturnas como as corujas, os caimões, os jacarés ou até mesmo as piranhas.

[Amanhecer em Anavilhanas, no rio Negro (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

[Atraídas pela luz do lampião, as piranhas saltam para os barcos durante os passeios noturnos (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Já a visita guiada por Novo Airão não somou grande coisa à experiência, a não ser pelo centro de artesanato, ao abrigo da Fundação Almerinda Malaquias, onde pode-se comprar algumas das peças encomendadas pelo Anavilhanas Lodge. Antes, porém, não há quem resista ao cliché turístico do restaurante-flutuante de Marilda Medeiros, no porto, para dar de comer aos botos que, todas as tardes, vão ali para reclamar seu quinhão de peixe. Não é a situação ideal, mas é um compromisso em que todos, inclusive os golfinhos narigudos, ganham alguma coisa.


[A aranha-caranguejeira (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

[Os botos, cada vez mais arredios, são uma atração à parte (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Acesso pelo km 1 da AM-352, 5,5 km, Nova Airão, tel. (92) 3622 8996, quatro opções de pacotes (mínimo 3 dias) desde R$722

13.6.11

#fala-se: caipirinha como drinque oficial da copa 2014

[Caipirinha made in Brasil, mas repaginada, poderá vir a ser drinque oficial da Copa 2014 (fotos de divulgação)]

Caipirinha tornou-se sinônimo de Brasil no exterior. Há quem mantenha-se fiel à sua versão original, com cachaça e limão, há quem tenha-se rendido a outras combinações de bebidas e frutas, mais ou menos exóticas, mas sempre com um toque que não nega suas raízes.

Por isso mesmo, a idéia que agora surgiu, por ocasião da 15ª Expocachaça (a decorrer no âmbito da feira Expominas, em Belo Horizonte, Minas Gerais), de lançar a bebida como o welcome drink da Copa 2014 pode vir a receber apoios importantes.


José Lúcio Mendes, diretor de Marketing da Expocachaça, explica melhor seus argumentos para fazer da caipirinha o drinque oficial da Copa: “Em vez de brindar os hóspedes nos hotéis com champanhe, vamos receber com nossa caipirinha. Champanhe eles tomam na França”. Tendo em conta que o Brasil espera receber cerca de 600 mil turistas durante o evento esportivo, a cachaça ganharia assim novos embaixadores no mundo inteiro.

Para já, o plano não passa disso mesmo, de um plano, mas, em convênio com o Senac, o Centro Brasileiro de Referência da Cachaça deve brevemente divulgar a carta de caipirinha e de cachaça, a exemplo da carta de vinho, junto ao setor hoteleiro, bares e restaurantes das 12 cidades-sede da Copa do Mundo.

Ainda segundo Lúcio Mendes “A tendência é oferecer um drinque mais leve, elaborado com água mineral e frutas exóticas, que vai descer redondo em nosso país tropical. Não é ficar restrito à mistura de limão, açúcar e gelo”.
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