20.6.11

#pequeno hotel de charme: Anavilhanas Jungle Lodge, em Nova Airão (AM)

[O arquipélago das Anavilhanas é dos mais belos parques do Amazonas; abaixo: placa do Anavilhanas Jungle Lodge (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Entre as várias “cidades” no meio da floresta amazônica que estão começando a desabrochar para o turismo, sem dúvida que Novo Airão, entre o rio Negro e o arquipélago das Anavilhanas (um dos maiores da região, com mais de 400 ilhas), é aquela que, no conjunto, proporciona a melhor experiência.

Para isso contribui, e muito, o Anavilhanas Jungle Lodge, com apenas 20 bangalós (quatro dos quais, com paredes de vidro para aumentar a sensação de imersão na mata à volta) e um conceito que o torna luxuoso sem deixar de ser rústico.


[Travessia em ferry (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

[A nova ponte Iranduba, na altura ainda em construção (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Para lá chegar, são precisas entre três a quatro horas de estrada a partir de Manaus (com a nova ponte de Iranduba, é provável que demore um pouco menos agora), pelo que é prática da casa exigir que se fique, no mínimo, três dias com tudo incluído (exceto bebidas).

[Entre os 20 bangalós, existem diferentes categorias (©psr/rotas, todos os direitos reservados)]

[Os bangalós mais luxuosos, no topo, possuem paredes de vidro; caimão-fêmea (©psr/rotas, todos os direitos reservados)]
[Além de números, os bangalós são identificados por animais, que indicam depois os lugares à mesa no restaurante (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

O conforto dos bangalós, a arquitetura aberta, os banhos de sol no deque de madeira à volta da piscina debruçada sobre o rio (os mais descolados alternam braçadas numa e noutro), os fartos bufês servidos ao longo do dia na choupana-restaurante, a Internet por satélite, a leitura ou a simples preguiça numa rede, tudo isso são detalhes que fazem a diferença, e merecem ser desfrutados. 


[A sala comum do lodge, com Internet por satélite (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

[A piscina de borda infinita, sobre o rio Negro, permite relaxar entre passeios (©psr/rotas, todos os direitos reservados)]

Mas, como num safari, no preço do pacote estão incluídos todos os passeios, de barco ou a pé, mas sempre com vigilância, em diversos pontos das ilhas Anavilhanas.  Não são obrigatórios, claro, mas não seria a mesma coisa. 

[Saída para um passeio de barco (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

[O cais de embarque do lodge (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Para manter grupos pequenos, os hóspedes são divididos e vão rodando nas diferentes atividades previstas durante sua estadia. É uma forma, bem bolada, de promover o convívio e de todos partilharem, à hora das refeições, o que viram e fizeram ao longo da jornada. 

[O Anavilhanas Lodge possui pessoal especializado para acompanhar os hóspedes em seus passeios pelo arquipélago (©psr/rotas, todos os direitos reservados)]


[Os passeios à pé permitem explorar a mata amazônica de nível 1 (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Alguns guias, como Leandro, são indígenas, o que dá outro sabor a pequenos ensinamentos — como usar a mata a nosso favor, servindo-nos de troncos ocos, por exemplo, para emitir sons — e transmite confiança para abraçar árvores colossais, degustar certas larvas, caminhar descalço ou deixar uma enorme e peluda aranha-caranguejeira trepar pelo nosso braço.


[A choupana-restarante de dia e vista de fora (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

[A choupana-restaurante de noite, com as mesas a preceito para o jantar (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]


Para pena minha, não sobra tempo para ir até ao Parque Nacional do Jaú (só de barco, seriam mais seis horas, implicando acampar ou pernoitar na casa de locais), mas fica-me o consolo de ter visto um dos mais radiosos amanheceres da minha vida às margens do Negro, antes de sair de barco em mais um passeio para a observação de aves madrugadoras (mais ouvi do que vi), e de ter tido o privilégio de, apenas iluminado pelo luar refletido no rio, sair no encalce de criaturas noturnas como as corujas, os caimões, os jacarés ou até mesmo as piranhas.

[Amanhecer em Anavilhanas, no rio Negro (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

[Atraídas pela luz do lampião, as piranhas saltam para os barcos durante os passeios noturnos (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Já a visita guiada por Novo Airão não somou grande coisa à experiência, a não ser pelo centro de artesanato, ao abrigo da Fundação Almerinda Malaquias, onde pode-se comprar algumas das peças encomendadas pelo Anavilhanas Lodge. Antes, porém, não há quem resista ao cliché turístico do restaurante-flutuante de Marilda Medeiros, no porto, para dar de comer aos botos que, todas as tardes, vão ali para reclamar seu quinhão de peixe. Não é a situação ideal, mas é um compromisso em que todos, inclusive os golfinhos narigudos, ganham alguma coisa.


[A aranha-caranguejeira (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

[Os botos, cada vez mais arredios, são uma atração à parte (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Acesso pelo km 1 da AM-352, 5,5 km, Nova Airão, tel. (92) 3622 8996, quatro opções de pacotes (mínimo 3 dias) desde R$722

13.6.11

#fala-se: caipirinha como drinque oficial da copa 2014

[Caipirinha made in Brasil, mas repaginada, poderá vir a ser drinque oficial da Copa 2014 (fotos de divulgação)]

Caipirinha tornou-se sinônimo de Brasil no exterior. Há quem mantenha-se fiel à sua versão original, com cachaça e limão, há quem tenha-se rendido a outras combinações de bebidas e frutas, mais ou menos exóticas, mas sempre com um toque que não nega suas raízes.

Por isso mesmo, a idéia que agora surgiu, por ocasião da 15ª Expocachaça (a decorrer no âmbito da feira Expominas, em Belo Horizonte, Minas Gerais), de lançar a bebida como o welcome drink da Copa 2014 pode vir a receber apoios importantes.


José Lúcio Mendes, diretor de Marketing da Expocachaça, explica melhor seus argumentos para fazer da caipirinha o drinque oficial da Copa: “Em vez de brindar os hóspedes nos hotéis com champanhe, vamos receber com nossa caipirinha. Champanhe eles tomam na França”. Tendo em conta que o Brasil espera receber cerca de 600 mil turistas durante o evento esportivo, a cachaça ganharia assim novos embaixadores no mundo inteiro.

Para já, o plano não passa disso mesmo, de um plano, mas, em convênio com o Senac, o Centro Brasileiro de Referência da Cachaça deve brevemente divulgar a carta de caipirinha e de cachaça, a exemplo da carta de vinho, junto ao setor hoteleiro, bares e restaurantes das 12 cidades-sede da Copa do Mundo.

Ainda segundo Lúcio Mendes “A tendência é oferecer um drinque mais leve, elaborado com água mineral e frutas exóticas, que vai descer redondo em nosso país tropical. Não é ficar restrito à mistura de limão, açúcar e gelo”.

10.6.11

#pequeno hotel de charme: villa bahia, em salvador (BA)


[O Hotel Villa Bahia, pintado de amarelo, ocupa dois casarões histôricos no largo do Cruzeiro de São Francisco, em Salvador (fotos de divulgação)]


Durante anos, Salvador, cartão turístico da Bahia e do Brasil,  investiu mais na quantidade do que na qualidade. Poderia dar inúmeros exemplos, mas vou ficar, por agora, na hotelaria. 

O Convento do Carmo veio compensar a falta de um hotel verdadeiramente histôrico; do mesmo modo que o Zank  abriu um novo capítulo em matéria de modernidade, ainda para mais num bairro emergente como o Rio Vermelho. Gosto de um e de outro, por razões diferentes, embora não os ache, dentro dos respetivos estilos, conseguidos a 100 por cento. Além de que não são, propriamente, baratos.

[No térreo, junto à receção, a sala comum (foto de divulgação)]
[O altar do Espírito Santo domina a sala comum (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Mas nem é por ai. Na verdade, sempre que ia a Salvador, eu sentia falta de alternativas. Sentia falta de pequenos hotéis de charme e não percebia, tendo a capital baiana tantas construções antigas que se prestariam facilmente a esse efeito, o porquê de não encontrar nenhum digno de nota ou recomendação.

[A porta do elevador tem diferentes cenas de caça pintadas em cada andar (foto de divulgação)]
[Os três andares são também ligados por escadarias (foto de divulgação)]

Como muitas vezes acontece, foi preciso que vários estrangeiros dessem o exemplo para que a cidade despertasse para esse importante segmento de mercado. 

[Apartamento Guiné (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]
[Apartamento Guiné (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Entre os projetos mais recentes, o Hotel Villa Bahia, explorado por um grupo francês, é um bom achado. Para já, por sua localização, mais do que privilegiada, no largo frente à Igreja de São Francisco.

[Madagáscar, o apartamento mais pedido (foto de divulgação)]
[Outro ângulo do Madagáscar (foto de divulgação)]

Só isso, porém, não chegaria para me convencer, não fosse o caso de estarmos diante de um hotel que uniu dois casarões dos séculos XVIII e XIX e que decorou cada um de seus 17 apartamentos, divididos por três andares (os do 3º piso são menores, mas, em compensação, possuem terraço privativo), de acordo com a Rota das Especiarias dos descobridores portugueses. O preço é igual para todos, mas, claro, uns são mais conseguidos do que outros. Quando ali estive, fiquei no Guiné, mas os mais especiais são o Goa e o Madagáscar (por isso são sempre os primeiros a serem reservados).

[Plantas e flores dos ervanários do século XIX... (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]
[... foram reproduzidos nas portas das áreas de serviço (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

O atendimento é gentil, há uma preocupação de sustentabilidade, a clientela é sobretudo francesa (mas não só) e a decoração, ainda que patinada, não é pesada e alguns apontamentos chamaram-me a atenção, como o altar do Espírito Santo na sala, as cenas de caça pintadas na porta do elevador (por dentro é revestido a madeira e no teto tem até um lustre em trompe-l'œil) ou os ervanários do século XIX reproduzidos nas portas das áreas de serviço. 


[Um dos pátios internos, no caso o que está ligado ao restaurante (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]




Detalhes que fazem (toda) a diferença.


[O restaurante do Villa Bahia, charmoso e gostoso (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Vale ainda a referência ao seu restaurante, comandado pelo chef Marc Le Dantec. No térreo, virado para a rua e para um pátio interno muito aprazível, o restaurante foi uma grata surpresa. Do café da manhã incluído na diária, simples mas farto, ao jantar, em que degustei vários pratos locais, mas sempre com um toque pessoal.


[A piscina fica num segundo pátio interno (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Acabei não usando a piscina — mas existe uma, pequena, num segundo pátio interno —, porque preferi gastar meu tempo livre no terraço do último andar, com vista para os telhados e torres sineiras da Velha Salvador.

[No último andar, os apartamentos possuem terraços privativos (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]
[Mas existe também um terraço aberto a todos os hóspedes com esta vista (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]


Largo do Cruzeiro de São Francisco, 16-18, Pelourinho, Salvador, tel. (71) 3322 4271, diárias desde R$400

6.6.11

#atrações irresistíveis: teatro municipal renovado e mais gourmet (SP)

[Teatro Municipal reabre ao público após três anos de obras (foto D.R.)]


Demorou, mas agora é de vez. Após três anos de trabalhos, o Teatro Municipal de São Paulo abre de novo suas portas, ao que tudo indica nos dias 10 e 11 de Junho (mas só para convidados).

O grande público terá apenas de esperar até ao dia 12 de Junho, altura em que será realizado, às 17 horas, um concerto pela Orquestra Sinfônica Municipal, Coral Lírico e Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo. Os bilhetes estão à venda desde o dia 2, mas a programação para o que resta da temporada de 2011 promete ser variada, com inúmeros concertos, espetáculos de dança e ópera.


Outra novidade de peso diz respeito à área gastronômica. A licitação para explorar o café e restaurante do teatro foi ganha por Adolfo Gorenstein, um restaurateur conhecido por seus fartos bufês na Sala São Paulo e no MASP.

[Terrine de ricota e laranja Kinkan, um sucesso do Bistro da Sara que transita para o cardápio do novo café (©mario rodrigues)]

Mas não é tudo. O novo espaço de restauração do museu, que deve estar funcionando já em finais de Junho, terá ainda a curadoria, no café da manhã e ao almoço, de Sandra Valéria Silva. Talvez assim o nome não diga grande coisa a muita gente, mas se eu acrescentar que se trata da dona do Bistro da Sara, em Bom Retiro (SP), o caso muda de figura, certo?

[cheesecake de pistache com calda de amora, uma das sobremesas  do novo café do teatro (@mario rodrigues)]

No porão do Bom Retiro, Sandra tornou-se conhecida por seu bufê de cozinha rápida, mas muito saborosa, pelo que nas propostas do café vai repetir pratos como lula recheada de farofinha de pistache, pernil de vitelo assado, terrine de ricota e laranja kinkan, além de doces como o cheesecake de pistache com calda de amora (as sobremesas também estarão disponíveis no bar, entre as 9 e as 16 horas).

Praça Ramos de Azevedo, s/nº, tel. (11) 3397 0300

5.6.11

#comidinhas: mestiço da cairu (PA), o melhor sorvete do brasil (para mim)

[Exterior e interior da loja da Cairu na travessa 14 de Março, em Belém (fotos de divulgação)]

Dias atrás, a chef Bel Coelho, do Dui em São Paulo, não fez por menos e, para a quem quis ler nas redes sociais, vaticinou: "sorvete de pistache da Saborella, em Brasília, é o melhor do Brasil e não se fala mais nisso".

Confesso que os da Saborella ainda não conheço — assim como não provei muitos outros por esse Brasil afora —, mas já que estamos no domínio do subjetivo — porque, tirando alguns pressupostos técnicos, gosto sempre é uma coisa subjetiva, não tem jeito —, eu digo que para mim, até agora, o melhor sorvete do Brasil é o Mestiço, mistura de açaí e tapioca, da Cairu, em Belém do Pará.

Já me deliciei com os da Mil Frutas, no Rio; encantei-me com os picolés Frutos do Cerrado, em Goiás; fiquei indeciso ante a variedade de sabores e combinações possíveis na Tropical, em Fortaleza, ou na Ribeira, em Salvador (se bem que, na capital baiana, foram os sucos espessos, quase sorvetes, do Beto Pimentel que mais me ficaram na memória)... Claro, poderia ainda mencionar a Bacio di Latte ou a Vipiteno, em São Paulo, mas ai estaríamos falando de gelatos italianos e eu quero ficar-me apenas pelos sabores tipicamente brasileiros.


[O posto de venda da Cairu na Estação das Docas, também em Belém (foto D.R.)]


A Cairu já existe há quase 50 anos, fundada pelo casal Armando e Ruth Laiun, e possui vários pontos de venda na capital paraense, mas em minha primeira passagem por Belém, por motivos de pura conveniência, dividi-me entre as unidades da travessa 14 de Março, no bairro da Nazaré, e da Estação das Docas, já com os olhos postos na baía leitosa do Guajará. Após a chuva vespertina, com uma temperatura mais amena, o meu maior prazer, nos dias que passei ali em Novembro, era caminhar sem pressas pelas ruas e sempre terminar o passeio numa ou noutra Cairu, com um belo sorvete por companhia.


[São cerca de 60 sabores, com destaque para as frutas amazônicas, na Cairu (foto D.R.)]


São cerca de 60 sabores, onde marcam forte presença as frutas amazônicas. O que mais me cativou nestes sorvetes foi sua cremosidade, quase um aveludado, conseguida através da mistura das frutas frescas com leite em pó e creme de leite. Provei o outro grande clássico da casa, o Carimbó (castanha-do-pará e doce de cupuaçu), mas, sem dúvida alguma, foi a combinação de açaí e tapioca, conhecida como Mestiço, que me deixou viciado. 


[O Mestiço na versão casquinha (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]


Não serei o único, pois até mesmo já o prestigiado jornal The New York Times referiu-se às delícias da Cairu. Não sei quando terei a oportunidade de voltar a Belém, por isso gostei muito de descobrir, recentemente, que seus sorvetes são comercializados em filiais de Manaus, São Paulo, Rio e Brasília.


Estação das Docas, Avenida Boulevard Castilhos França, s/nº - galpão 2, Belém, todos os dias, entre as 12.00 e as 00.00 (até às 02.00 de sex. a dom. e vésperas de feriado)
Travessa 14 de Março, 1570 (esquina com a Avenida Governador José Malcher), Belém, todos os dias, entre as 09.00 e as 23.30

2.6.11

#hotel-casa: jacaré casas em trancoso (BA)


[Quadrado de Trancoso, na verdade uma praça retangular sem asfalto, no centro do vilarejo, onde ficam as Jacaré Casas (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

É fácil cair na tentação, por tudo o que se ouve e lê (não só no Brasil, também em outras partes do mundo), de dizer que Trancoso, tendo deixado há muito de ser uma novidade, está neste momento sendo tratado como uma espécie de revelação. 

Trancoso não está na moda. Nem se trata apenas de um fenômeno. Ascendeu antes à categoria restrita de destino jet-set, com uma frequência digna desse nome que não se limita, em muitos casos, a estar de passagem ou a ser um mero convidado VIP.

Óbvio que muitos dos nomes sonantes, ligados à moda, ao entretenimento, ao futebol e a outras atividades com purpurina, são presenças fugazes no Quadrado, apenas notadas porque para isso existem promotores e colunistas sociais sempre atentos. 

[Perspetiva geral da casa nº5 (foto de divulgação)

Há, porém, uma classe à parte, que transita na alta roda internacional, que não se deixa ver e raramente se mistura ao comum dos turistas, pois tem sua mansão de sonho nos condomínios privados que se estendem à volta do vilarejo, de preferência voltada para uma das praias menos frequentadas. Para que fique claro, estou falando de personalidades como um conde Philippe de Nicolay, descendente dos Rotschild, ou de um João Roberto Marinho, das Organizações Globo.

[O deck, imenso, da casa nº5 (©PSR/Rotas, todos os direitos reservados)]

É nessas casas, ao abrigo dos olhares curiosos, que muitos se refugiam e onde o boca-a-boca mais funciona em prol da fama ascendente de Trancoso. Nada mais natural que quem se possa dar a esse luxo, depois de experimentar o bem-bom de ser hóspede, se sinta tentado a também adquirir seu pedaço de paraíso. Não deixa de ser uma excelente jogada de marketing.

[Nas casas, a decoração foi assinada por Sig Bergamin (foto de divulgação)]


Fernando Droghetti, empresário paulista mais conhecido como Jacaré, foi um dos primeiros forasteiros a chegar, na década de 1970, quando Trancoso ainda se podia dizer uma aldeia piscatória. Os pescadores já se foram há muito, e os que ficaram preferem hoje prestar serviço aos ricos, mas Jacaré, que acompanhou a passagem do vilarejo de sensação hippie a acontecimento social, ficou. 


[No deck da casa nº2 (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Ficar é, entenda-se, uma forma de expressão, pois está habituado a dividir-se por vários locais do mundo e mantém  seu negócio, agora através da venda online, de decoração. O certo é que começou por ter uma pousada no Quadrado, que depois vendeu, até conseguir o pedaço de terreno desejado, também na praça, mas mesmo junto à igrejinha, com a melhor vista sobre o litoral. Nasceu assim o projeto Jacaré Casas.

[Cada casa possui sempre uma área privada de descanso ao ar livre (foto de divulgação)]

Droghetti aka Jacaré não acertou, porém, logo à primeira. Ou melhor, até acertou, pois teve desde sempre uma boa adesão ao seu conceito de providenciar a quem não tem casa na região – ou a sorte de ter um amigo que possua uma e goste de receber – um porto de abrigo, mas só a partir de Setembro de 2007, altura em que se deu a grande reforma, se pode realmente falar de um lugar que nos faz acreditar, por poucos ou muitos dias, que também nós, sem sermos milionários mas apenas bem remediados, nos podemos dar ao luxo de brincar às casinhas no Quadrado-Retângulo de Trancoso.

[Por dentro, todas as casas, com variações de tamanho e objetos personalizados, são assim (foto D.R.)]

Os 11 quartos deram então vez a cinco casas apenas, com decoração contemporânea de Sig Bergamin (que recorreu a algumas peças comercializadas por Jacaré, mas não só), nome bem conhecido no Brasil, e paisagismo de Gilberto Elkis. 

[O gramado do jardim, onde não faltam pontos para ficar a ver o mar (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Quem as vê por fora, não imagina o que lá vai por dentro. A maior é a nº 1, com dois quartos e chuveiro no exterior, mas são as nº 2 — onde tive já o privilégio de ficar e, posso assegurar, me senti nababesco — e n.º 5 que possuem os decks mais espetaculares, com cozinhas externas, cadeiras Eames e Butterfly ou camas de dia. Sem perder, claro está, pitada do panorama de fazer cair o queixo. Antes vinham mais brasileiros, presentemente mais estrangeiros, mas uns e outros apreciam a sensação de estar em casa, mas sem os inconvenientes de se estar, efetivamente, em casa. 

[A piscina de borda infinita, comum a todos os hóspedes (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

O conceito hotel-casa certifica um atendimento personalizado e privacidade total. Nas áreas comuns, com três zonas de estar, bar de apoio e até uma cozinha exterior para preparar um jantar especial panorâmico, espaço de sobra para uma piscina de borda infinita, um pomar e várias cadeiras no gramado para se ficar a ver a vida passar. Sem pressas ou neuras. E não há praticamente impossíveis, tanto que o lema ali é que “do jegue ao helicóptero, tudo se arranja”.

Quadrado, Trancoso, tel. (73) 3668 1470, diárias desde R$588

30.5.11

#novidades de comer: o que são paulo (SP) ganhou faz pouco tempo

[Chef Renata Cruz, do Amici, agora como novo endereço em Itaim Bibi (foto de divulgação)]
Amici
Provei, pela primeira vez, a comida da Renata Cruz de forma inesperada. Poderia mesmo dizer inusitada. Foi em 2010, a bordo de um avião da TAM, numa época em que a jovem chef brasileira assumia a responsabilidade de criar menus para os voos internos da companhia sem defraudar sua filosofia de "comfort food" (cara e gosto de comida caseira, mas com toque de chef). 
É muito raro ficar impressionado com comida de avião, mesmo a servida em classe executiva, o que dirá em econômica... mas, o certo, é que aquela me fez registrar seu nome.
Mais tarde, ouvi boas críticas ao seu restaurante de São Paulo, o Amici, precisamente por conseguir praticar uma cozinha acessível, saborosa e ideal para todos os dias. Não cheguei a ir em seu primeiro endereço, na Chácara Santo Antônio, uma pena. 
De todas as maneiras, o Amici ganhou, desde ontem (abriu uns dias antes em soft opening), uma nova casa no bairro chic de Itaim Bibi. Diz quem já viu que, instalado num sobrado de 350 metros quadrados e dois andares, este Amici-fase 2 mantém o ar familiar e, mais importante, seu cardápio (servido em bufê, com saladas e pratos quentes, e à la carte, com opções de carne, peixe, massas, risottos e sobremesas como o brigadeiro de colher). Para a minha lista "estou curioso".
Rua Aracari, 200, Itaim Bibi, tel. (11) 5641-9119, de seg. a sex., entre as 12.00  e as 15.30, aos sáb., entre as 13.00 e as 17.00


Clandestino
[Chef Bel Coelho durante um jantar-degustação no Clandestino (foto direitos reservados)]

Em rigor, não é uma novidade absoluta; é mais um regresso celebrado. Bel Coelho é sempre muito falada, e não só pela cozinha, tendo retomado, desde o dia 28 de Abril, seu projeto de degustação no segundo piso do restaurante Dui. Sempre às quintas-feiras, e ao jantar (é preciso reservar), ela recebe até 30 pessoas que, por R$195 (mais R$140 se quiser harmonizar os pratos com vinhos), embarcam numa aventura gastronômica autoral em 13 etapas. Não é barato, não é para todos, mas, quem já foi, garante que não se esquece facilmente. Entra para a minha lista "quero muito ir".
Alameda Franca, 1590, Jardins, tel. (11) 2649 7952, todas as quintas-feiras, a partir das 20.30, mediante reserva

[Uma das sobremesas servidas na degustação, à base de frutas nordestinas (foto direitos reservados)]

Ritz Iguatemi
[Ritz Iguatemi (foto de divulgação)]

Há anos, sempre que estou em São Paulo, jantar uma noite no Ritz da Alameda Franca tornou-se parte do programação dita "não oficial". Não é sequer algo que eu premedite; simplesmente, acaba acontecendo de um jeito natural. Porque gosto de seus hambúrgueres (mais ainda dos bolinhos de arroz e do filé à milanesa), mas também acho bacana o ambiente democrático, as memórias do lugar (Caio Fernando Abreu, habitué, se não estou em erro, chegou a lançar ali um de seus livros) e o fato de ser, até hoje, um ponto onde sempre, ou quase sempre, se encontra amigos ou conhecidos — no balcão, porque esperar por mesa faz parte.
Chegou-me agora a notícia de uma nova inauguração, desta feita no piso térreo da ala mais recente do Shopping Iguatemi. Assinado pelo arquiteto André Vainer, o espaço, de 260 metros quadrados, repete imagens de marca como a porta giratória vermelha, o piso de madeira, as mesas com tampo de mármore, as cadeiras Thonet ou os sofás de couro vermelho, mas surpreende com um incrível painel de lousa verde onde o diretor do Museu da Casa Brasileira, Giancarlo Latorraca, desenhou a giz uma paisagem tipicamente paulistana.
O cardápio também é o mesmo, mas traz novidades como bruschetta de aliche com queijo de cabra e rúcula, o mini beirute, a salada grega com queijo feta ou o agnolotti de burrata com molho de tomates frescos, suco e raspas de laranja e manjericão. Este vai para a minha lista "acho que vou continuar indo no outro".
Av. Brigadeiro Faria Lima, 2232, com entrada independente pela R. Angelina Maffei Vitta, 200, tel. (11) 2769 6752, de seg. a sex., almoço entre as 11.45 e as 15.00 e jantar entre as 19.30 e as 00.00, sáb. e dom., entre as 12.00 e as 00.00

St. Honoré
[Chef Wagner Resende e chef pâtissière Amanda Lopes, dois sócios do St. Honoré (foto D.R.)]
Mal abriu, no começo de Maio, e já me deixou com água na boca. Em especial pelos doces e pães da chef pâtissière Amanda Lopes, ex-Brasserie e ex-Douce France, uma das sócias do St. Honoré — juntamente com o chef Wagner Resende e Ida Maria Frank, dona do Due Cuochi e do Le Marais Bistrot —, em Itaim Bibi, que apresenta-se como uma combinação de bistrô, padaria, confeitaria e loja (inclusive de vinhos).
A casa está dividida em três ambientes, com arquitetura de Ana Luíza Carvalho do Amaral, e o serviço vai do café da manhã ao jantar, contando com um menu executivo composto por duas opções. Este entra direto para a minha lista "pecado da gula".
Rua Pais de Araújo, 185, Itaim Bibi, tel. (11) 3071 2932, de seg. a sáb., entre as 8.00 e as 22.00, dom., entre as 08.00 e as 19.00

[Doce de assinatura do St. Honoré (foto de divulgação)]
[Broas de fubá do St. Honoré (foto de divulgação)]

Freddo
[Sorveteria Freddo, em Moema (foto de divulgação)]
Por anos a fio, os brasileiros cobiçaram as sorveterias Freddo — sobretudo pelo famoso sabor doce de leite —sempre que iam de visita a Buenos Aires. A rede argentina demorou, mas parece que agora, depois de começar em Brasília, vem com tudo e disposta a rápida expansão. Para já, São Paulo é a segunda cidade eleita, com uma loja em funcionamento em Moema e outra recém-inaugurada no Shopping Iguatemi, em Alphaville.
No caso da loja de Moema, com painéis de Caco Martin e Agostin Ascacibar, esta funciona como sorveteria e cafetaria (em parceria com o Octávio Café). No total, são 30 sabores a que se vão juntar, no segundo semestre, as contribuições brasileiras de brigadeiro e banana com açaí. A partir de R$8,50 o cucurucho (cone no formato de casquinha) com um sabor. Este vai para a minha lista "vou virar freguês".
Rua Normandia, 22, Moema, tel. (11) 3562 1654, de seg. a qui., entre as 10.00 e as 20.00, sex. e sáb., entre as 10.00 e as 23.00, dom., entre as 12.00 e as 22.00

[Freddo, agora também no Brasil (foto de divulgação)]
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